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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Japão entra em recessão às vésperas da eleição


O Japão entrou em sua quinta recessão dos últimos 15 anos, poucos dias antes das eleições de domingo, que deverão varrer o Partido Democrata do Japão e o premiê Yoshihiko Noda do poder.

Shinzo Abe, líder do Partido Liberal Democrático, de oposição, atacou o Partido Democrata e o BC japonês por não terem aquecido a demanda numa economia que encolheu em três dos últimos quatro anos, e defendeu novos estímulos fiscais e um afrouxamento monetário "ilimitado".

Dados divulgados ontem pelo governo do país mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão encolheu à taxa anualizada de 3,5% no período de três meses encerrado em setembro, num momento em que o país se reúne à Itália e à Espanha na condição de nação atingida pela recessão. O governo japonês, além disso, corrigiu para baixo sua estimativa do PIB para o segundo trimestre, dizer que a economia do país encolheu à taxa anualizada de 0,1%.

Mesmo com respaldo de natureza fiscal e monetária, a economia do país deverá continuar a enfrentar dificuldades, em meio à incerteza quanto à demanda externa, aos aumentos salariais limitados e ao aperto do mercado de trabalho.

Outros dados divulgados pelo governo mostraram que o grau de confiança das famílias caiu para seu nível mais baixo dos últimos onze meses. "Prevemos que a economia japonesa continuará fraca, devido à fragilidade das exportações e à estagnação da demanda interna", disse Takeshi Yamaguchi, economista da Morgan Stanley MUFG Securities.

A economia da China também enfrentou problemas de caráter mundial, uma vez que suas exportações desaceleraram significativamente em novembro e o país registrou seu menor superávit comercial dos últimos cinco meses. "A mediocridade das exportações representa o maior risco de desaceleração à recuperação chinesa em curso", disse Ma Xiaoping, economista do HSBC. "Em vista disso, prevemos que Pequim manterá sua postura de política econômica de fomento ao crescimento nos próximos trimestres."

O aumento das vendas de veículos na China foi uma das poucas notícias que trouxeram algum alento, no entanto, num momento em que as montadoras japonesas parecem estar se recuperando após uma queda brusca ligada à disputa territorial que irrompeu entre os dois países em setembro. Movimentos de protesto na China, o maior mercado automobilístico do mundo, resultaram na época na depredação de revendedoras e veículos japoneses.

Embora os dados da economia japonesa sejam, muitas vezes, significativamente corrigidos vários meses após a sua divulgação, a mais recente correção chama a atenção para a dificuldade de o país alcançar um crescimento sustentável depois da crise financeira mundial de 2008 e do terremoto, acompanhado de tsunami, sofrido pelo país em março de 2011.

Abe, que transformou a revitalização da economia em viga mestra de sua campanha, argumenta que uma política monetária mais agressiva e o aumento maciço dos gastos em infraestrutura, financiados pela venda de títulos, poriam fim à branda deflação que, segundo muitos economistas, tolhe o crescimento do Japão desde a década de 1990.

Noda retratou propostas desse teor como um atentado potencialmente perigoso à independência do BC e como uma reedição das perdulárias políticas de construção civil que contribuíram para sobrecarregar o governo com um endividamento líquido correspondente a mais que o dobro do PIB.

Fonte: Valor