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domingo, 13 de setembro de 2015

Economia do Japão está paralisada pela cautela

Por Paul Krugman

As pessoas que visitam o Japão muitas vezes se surpreendem com sua aparência de prosperidade. Não parece uma economia profundamente deprimida. Porque não é.

O desemprego está baixo; o crescimento econômico em geral está lento há décadas, mas isso ocorre principalmente porque é um país que envelhece, com um número cada vez menor de pessoas em idade produtiva. Em relação ao número de adultos em idade ativa, o crescimento japonês nos últimos 25 anos foi quase tão rápido quanto o dos EUA e melhor que o da Europa ocidental.

Mas o Japão ainda está preso em uma armadilha econômica. A deflação persistente criou uma sociedade em que as pessoas acumulam dinheiro, dificultando uma reação de política econômica quando coisas ruins acontecem, e é por isso que os empresários com quem tenho falado aqui estão aterrorizados sobre uma possível contaminação dos problemas chineses.

A deflação também criou uma "dinâmica de dívida" preocupante: o Japão, ao contrário dos EUA depois da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, não pode contar com receitas crescentes para tornar irrelevantes os empréstimos passados.

Por isso o Japão precisa fazer uma ruptura decisiva com seu passado deflacionário. Você poderia pensar que isso seria fácil, mas não é: o primeiro-ministro Shinzo Abe tem feito um verdadeiro esforço, mas ainda precisa alcançar um sucesso decisivo. E o principal motivo, eu diria, é a grande dificuldade que os fazedores de políticas têm para romper com ideias convencionais de responsabilidade.

A respeitabilidade, aliás, pode ser um matador de economias, e o Japão não é o único lugar onde isso acontece.

Como eu disse, você poderia pensar que pôr fim à deflação é fácil. Não se pode simplesmente imprimir dinheiro? Mas a questão é o que se faz com o dinheiro recém-impresso (ou, mais comumente, as reservas bancárias que você acaba de trazer à existência, mas vamos chamar isso de impressão de dinheiro por conveniência). E é aí que a respeitabilidade se torna um verdadeiro problema.

Quando bancos centrais como o Federal Reserve ou o Banco do Japão imprimem dinheiro, geralmente o usam para comprar dívida do governo. Em tempos normais isto inicia uma reação em cadeia no sistema financeiro: os vendedores dessa dívida do governo não querem ficar sentados sobre o dinheiro inativo. Por isso eles o emprestam, estimulando os gastos e incentivando a economia real. E conforme a economia se aquece os salários e os preços deveriam eventualmente começar a subir, solucionando o problema da deflação.

Hoje em dia, porém, as taxas de juros estão muito baixas na maioria das grandes economias, refletindo a fraqueza da demanda por investimento. O que significa que não há penalidade real por sentar-se sobre o dinheiro, e é o que as pessoas e as instituições fazem. O Fed comprou mais de US$ 3 trilhões em ativos desde 2008; a maior parte do dinheiro que ele bombeou para lá acabou simplesmente parado em reservas bancárias.

Como, então, pode a política combater a deflação?

Bem, a resposta que está sendo experimentada na maior parte do mundo é a chamada facilitação quantitativa. Isto envolve imprimir uma grande quantidade de dinheiro e usá-lo para comprar ativos ligeiramente arriscados, na esperança de fazer duas coisas: empurrar para cima os preços dos ativos e convencer investidores e consumidores de que a inflação está chegando, por isso seria melhor eles colocarem o dinheiro ocioso para trabalhar.

Mas isto é suficiente? Duvido. Os EUA estão se recuperando, mas demoraram muito para chegar lá. Os esforços monetários da Europa ficaram muito aquém das expectativas. E até agora o mesmo vale para a "Abenomia", um esforço ousado - mas não o suficiente - para inverter o rumo do Japão.

O que é notável nesse registro de conquistas dúbias é que na verdade existe uma maneira segura de combater a deflação: quando você imprimir dinheiro, não o use para comprar ativos; use-o para comprar coisas. Isto é, pagar os déficits orçamentários com o dinheiro impresso.

As finanças deficitárias podem ser lavadas, se você quiser, emitindo nova dívida enquanto o banco central compra dívida antiga; em termos econômicos, não faz diferença.

Mas ninguém está fazendo a coisa óbvia. Em vez disso, em todo o mundo avançado os governos estão dedicados à austeridade fiscal, arrastando para baixo suas economias, mesmo enquanto seus bancos centrais as tentam estimular. Abe tem sido menos convencional que a maioria, mas até ele fez seu programa recuar com um aumento de impostos mal assessorado.

Por quê? Parte da resposta é que as demandas por austeridade servem a uma agenda política, com o pânico sobre os supostos riscos dos déficits fornecendo uma desculpa para os cortes nos gastos sociais. Mas o maior motivo não é que seja tão difícil combater a deflação, eu afirmo, é a maldição do convencionalismo.

Afinal, imprimir dinheiro para pagar por coisas parece irresponsável, porque em tempos normais é. E não importa quantas vezes alguns de nós tentem explicar que estes não são tempos normais, que em uma economia deprimida e deflacionária a prudência fiscal convencional é loucura perigosa - muito poucos políticos estão dispostos a se arriscar a romper com a convenção.

O resultado é que sete anos depois da crise financeira a política continua paralisada pela cautela. A respeitabilidade está matando a economia mundial.

Fonte: New York Times / UOL

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Economia japonesa sinaliza encolhimento e preocupa autoridades do país

Os dados revelados ontem (8) sobre o PIB (Produto Interno Bruto), pelas autoridades do governo japonês, revelaram que o Japão está caminhando rumo a uma queda em sua economia.

Depois de vários meses positivos, o segundo trimestre deste ano trouxe uma queda de 1,2% na produção do país em relação ao mesmo período do ano passado, confirmando o impacto chinês na economia do Japão.

A procura de bens japoneses pelos Chineses está diminuindo a um ritmo muito superior ao esperado. A redução das vendas provocou uma quebra do investimento, diminuindo a produção e os empregos.

De acordo com o Wall Street Journal, os dados divulgados são, ainda assim, melhores do que a contração de 1,6% prevista inicialmente.

Os números parecem questionar o plano econômico do Primeiro Ministro Shinzo Abe, baseado na política monetária, baixos impostos e menor regulação do governo, denominado em todo o mundo como “Abenomics”.

No ano passado, a economia japonesa caiu em recessão técnica depois que o PIB encolheu nos primeiros seis meses até setembro, afetado pelo aumento do imposto sobre o consumo em abril, de 5% para 8%.

Os dados de 2015 sugerem que o país está caminhando para o mesmo rumo.

Fonte: Economia Ao Minuto / IPC digital

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Economia japonesa tem contração menor após revisão

A economia japonesa encolheu a uma taxa anualizada de 1,2% entre abril e junho, conforme dados revisados divulgados nesta terça-feira, ao mesmo tempo que economistas alertaram que a desaceleração chinesa e a turbulência no mercado financeiro devem enfraquecer a recuperação esperada no segundo semestre.

O dado é melhor, contudo, do que aquele divulgado no mês passado para o período, de contração de 1,6%, mas economistas dizem que a tendência geral é de fraqueza.

A demanda doméstica foi essencialmente estável nos três meses até junho. Em bases trimestrais, o Produto Interno Bruto (PIB) japonês teve queda de 0,3%, ante recuo de 0,4% informado originalmente.

O governo do Japão espera impulsionar o crescimento por meio da inflação, mas salários e exportações desapontadoras frustraram tal esforço.

Fonte: AP

PIB do Japão tem queda anual de 1,2% no segundo trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) do Japão contraiu 1,2% no segundo trimestre ante o mesmo período do ano passado, informou nesta terça-feira, 8, o governo local. Esta é a primeira contração em três trimestres. A queda, no entanto, foi menor do que a da primeira estimativa, de 1,6%.

Já os investimentos privados, um dos indicadores mais importantes do plano de recuperação da economia japonesa, apelidado de "Abenomics", recuaram 3,6% na mesma base de comparação.

Segundo os dados publicados pelo governo japonês, a atividade doméstica foi afetada pelo recuo das exportações, influenciadas principalmente pela desaceleração da China. 

Fonte: Estadão

sábado, 5 de setembro de 2015

Incentivo: Brasil busca consolidar parceria com Japão

Aconteceu em Brasília a 9ª Reunião MDIC-METI de Promoção Comercial, Investimento e Cooperação Industrial, onde Brasil e Japão discutiram parcerias para incentivar comércio e investimentos.

Realizada no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), contou com a presença da delegação japonesa, formada por 52 pessoas, e chefiada pelo diretor-geral de Política Comercial do Ministério de Economia, Comércio e Indústria (METI), Koichi Akaishi.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento da Produção do MDIC, Carlos Gadelha,”o trabalho do MDIC é colaborar para que este protagonismo se conserve e evolua. Estamos empenhados em fortalecer e promover o comércio exterior brasileiro e a atração de investimentos produtivos”, disse ele.

Durante a reunião, a delegação japonesa e representantes do governo brasileiro trocaram informações e discutiram oportunidades de estabelecer novas parcerias em diversos setores como: mineração, agricultura, automotivo, resíduos sólidos, equipamentos médicos, higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, entre outros.

Na pauta do encontro também constou assuntos como: atração de investimentos, estabelecimento de canais para solução de controvérsias, acordo de investimentos, e participação nas próximas concessões do Programa de Investimento em Logística (PIL), do governo brasileiro.

“O MDIC busca coordenar a agenda de promoção da competitividade para articular ações voltadas ao desenvolvimento produtivo, inovação e à promoção do comércio exterior, por meio do Plano Nacional de Exportações e da formulação de uma nova Política Industrial. Também buscaremos o fortalecimento do setor de comércio e serviços de forma integrada. Nesse contexto, é fundamental consolidarmos nossa parceria com o Japão”, disse Gadelha.

Intercâmbio Nipo-Brasileiro

Segundo o MDIC, em 2014 o Japão foi o 5º principal destino das exportações brasileiras (3% do total Brasil) e o 9° mercado de origem de nossas importações. A corrente de comércio bilateral foi de US$ 12,6 bilhões, sendo US$ 6,7 bilhões em vendas brasileiras e US$ 5,9 bilhões em importações brasileiras do Japão, com superávit de US$ 860 milhões para o Brasil.

As exportações brasileira foram 70% de produtos básicos e 13 % de produtos industrializados. O Brasil vende para o mercado japonês, principalmente, minério de ferro e seus concentrados (36,4%); carne de frango congelada, fresca ou refrigerada (16%), café cru, em grão (7,3%) e alumínio em bruto (6,6%).

Das compras feitas no mercado japonês, 99,8% são produtos industrializados, principalmente: partes e peças para automóveis e tratores (9,9%) e automóveis de passageiros (7,1%), além de instrumentos e aparelhos de medida e verificação (4,6%).

Investimento

Existem cerca de 250 empresas japonesas em atividade no Brasil, em áreas como mineração, siderurgia, indústria automotiva, eletroeletrônicos, papel e celulose, agronegócio, químicos e plásticos.

De acordo com dados do Banco Central, nos seis primeiros meses deste ano o Japão ocupou o 5º lugar no ranking das economias que mais investiram no Brasil, na modalidade participação no capital. De janeiro a junho, os investimentos japoneses chegaram a US$ 1,4 bilhão.

Fonte: MDIC

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Paulo Skaf diz a autoridades e empresários japoneses que momento de investir no Brasil é agora

A crise política é o que mais atrapalha a atividade econômica do país, mas o Brasil deve superá-la no longo prazo, afirmou nesta quarta-feira (2/9) o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao seu reunir com empresários e autoridades do Japão num Seminário que comemorou 120 anos do Tratado da Amizade, Comércio e Navegação entre as duas nações.

Neste encontro o secretário da Fazenda, Afonso Arinos de Melo de Franco Neto, pediu aos japoneses investimentos em obras de infraestrutura anunciadas pelo Programa de Investimentos em Logística (PIL).

“Uma área que oferece imensas oportunidades para a participação japonesa é a logística. Investimentos em infraestrutura permitem reduzir os custos das exportações brasileiras no longo prazo”, disse Arinos, lembrando que 90% das importações japonesas de carne de frango e 60% das compras de suco de laranja são provenientes do Brasil.

Ele aproveitou a ocasião para pressionar pela retirada do embargo japonês à carne suína brasileira. “Precisamos avançar na abertura do mercado para exportações brasileiras”. O Japão mantém embargo ao produto brasileiro desde 2012.

Da parte japonesa, Koichi Yajima diretor-executivo do JBIC (Japan Bank for International Cooperation, banco de fomento do Japão), destacou alguns temas que preocupam empresas japonesas que desejam investir no Brasil.

Segundo uma pesquisa do JBIC, 45,9% das empresas japoneses acreditam que a instabilidade da segurança pública e social é o maior obstáculo para investir no Brasil, enquanto 31% acreditam ser a falta de clareza do sistema legal o maior impeditivo.

Ele ainda explicou por que o México passou o Brasil no ranking de países promissores para investimento japonês. Segundo um instituto do Japão, o México assumiu a sexta colocação, no lugar do Brasil, que ficou com o sétimo lugar.

“O México tem todo um trabalho de tratados econômicos com outros países. Quando se pensa em produção, esse é um ponto muito importante que o México conseguiu ultrapassar o Brasil”, disse Yajima.

Fonte: FIESP / COMEX DO BRASIL / IPC Digital

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Diretor do Banco do Japão diz que é improvável atingir inflação de 2%

Takahide Kiuchi, o diretor do Banco do Japão (BoJ) que é mais crítico ao presidente da instituição, Haruhiko Kuroda, disse nessa quinta-feira que o banco central provavelmente não conseguirá alcançar a meta de inflação estável em 2% no próximo ano ou mesmo em 2017.

Falando em Maebashi, ao norte de Tóquio, Kiuchi disse que o núcleo da inflação ao consumidor (medidor de preços mais usado pelo BoK) provavelmente permanecerá no nível atual, perto de zero, "para o momento" e é "improvável que chegue a 2% mesmo no ano fiscal de 2017 sem os esforços para reforçar o crescimento”.

O ano fiscal japonês começa em março e o prazo ideal com o qual o BoJ trabalha para chegar à meta é o ano fiscal de 2016.

As declarações de Kiuchi, um dissidente solitário no board do BoJ, não estão muito distantes dos pontos de vista do setor privado, mas contrastam com as mensagens otimistas de Kuroda.

As divergências de opiniões sobre crescimento, inflação e os efeitos das medidas de flexibilização ocorrem num momento em que a economia do Japão se distancia do caminho dourado projetado por Kuroda no início do ano.

A economia encolheu no trimestre abril-junho e alguns economistas dizem que poderá contrair novamente no trimestre seguinte, devido à fragilidade do consumo e das exportações.

Kiuchi disse que a meta de 2% de inflação está num nível "muito acima" do compatível com a taxa de crescimento anual sustentável da economia, que o BoJ estima estar em 0,5%. Melhorar o crescimento enfrentando problemas estruturais, tais como a diminuição da população e a enorme dívida pública, é essencial para fazer os preços subirem a um determinado patamar de forma estável, disse ele.

Kiuchi ainda questionou em seu discurso se há consistência na visão dominante dentro do BoJ de que os preços dos alimentos estão subindo e empurrando os salários para cima. Para ele, essa relação não está clara e há evidências de que a alta nos preços está atingindo negativamente o sentimento dos consumidores.

Outro ponto de discordância de Kiuchi é quanto à comunicação do BoJ para sua política monetária. Ele acredita que é um erro dar preferência às boas notícias em detrimento das más e que é preciso também informar os efeitos colaterais das medidas e não apenas o seu lado positivo.

Fonte: Dow Jones Newsires