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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Premiê do Japão quer se encontrar com Trump "o mais rápido possível"

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse nesta sexta-feira, 20, que tem planos de visitar os EUA o mais rápido possível para se encontrar com o presidente eleito, Donald Trump.

Falando horas antes da posse de Trump, ele chamou a aliança entre os EUA e o Japão de "um princípio imutável" para a política externa e de segurança do seu país.

A urgência de se encontrar com o bilionário reflete suas preocupações acerca da política de Trump de "América primeiro", que tende a afetar os compromissos dos EUA com a região da Ásia,
bem como precipitação de qualquer aumento das tensões com a China e a Coreia do Norte.

Abe foi o primeiro líder estrangeiro a conhecer Trump após a eleição nos EUA, parando em Nova York em novembro durante seu caminho para a América Latina.

"A aliança do Japão com os EUA é a pedra angular da política externa do nosso país e da política de segurança, no passado, no presente e no futuro", disse Abe ao Parlamento em um discurso de política anual. "É um princípio imutável".

Abe disse que quer se encontrar com Trump para aprofundar essa relação ainda mais. Trump tomará posse como presidente dos EUA nesta sexta-feira.

"Eu quero fortalecer ainda mais o vínculo com o novo presidente Trump", disse Abe. Ele não disse uma data específica para acontecer o encontro, mas relatos da mídia local mencionam o fim de janeiro como uma possibilidade.

Em seu discurso no Parlamento, Abe também disse que os dois aliados, inimigos na II Guerra Mundial, têm a responsabilidade de mostrar "o poder da reconciliação", uma vez que ambos trabalham juntos para contribuir para a paz e prosperidade global. Abr afirmou ainda que quer manter a presença das tropas dos EUA no sul da ilha de Okinawa.

Durante sua campanha eleitoral, Trump exigiu que Tóquio pagasse mais para manter os 50 mil soldados norte-americanos no país sob um acordo bilateral de pacto de segurança, ameaçando tirá-los de outra forma. 

Fonte: Associated Press

Vice do BC do Japão promete acompanhar políticas de Trump "cuidadosamente"

Hiroshi Nakaso, um dos dois vice-presidentes do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), disse nesta sexta-feira que irá "cuidadosamente monitorar e acompanhar" as políticas econômicas do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, sinalizando o interesse de Tóquio horas antes da cerimônia de posse do republicano.

Nakaso não quis fazer comentários sobre o possível impacto econômico de eventuais medidas de Trump, devido à falta de detalhes de suas futuras políticas.

Por outro lado, Nakaso reconheceu o sentimento de modo geral positivo nos mercados financeiros sobre promessas feitas por Trump de reduzir impostos e ampliar investimentos em projetos de infraestrutura.

Nakaso também comentou que os bancos japoneses estão em boa situação, apesar do elevado custo de financiamento de moedas estrangeiras. "Eles têm muita liquidez", ressaltou. 

Fonte: Dow Jones Newswires

Presidente do Banco do Japão diz que protecionismo não deverá se propagar globalmente

O presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, disse que é improvável que o protecionismo se propague globalmente com a tomada de posse do presidente Donald Trump.

Kuroda falou em uma entrevista à imprensa dada na quinta-feira, 19, na Suíça, onde está participando do Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Ele se referiu aos comentários de Trump, que podem ser interpretados como negativos em termos de livre comércio.

Kuroda disse que o protecionismo não deverá se difundir até um ponto que possa danificar significativamente o comércio global. Acrescentou que o motivo dessa afirmação é que não somente os Estados Unidos, como também o Japão, os países da Europa e a China estão interconectados na corrente de fornecimento global.

Fonte: NHK

Bolsa de Tóquio fecha semana em alta de 0,34%

A Bolsa de Tóquio fechou a semana em alta, à espera da posse iminente de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. O índice Nikkei dos 225 principais valores avançou 0,34% aos 19.137,91 pontos.

(Redação - Agência IN)

Fonte: IN

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Professor da Universidade de Columbia comenta o impacto do iminente governo Trump sobre a economia do Japão

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, promete adotar uma atitude severa no setor comercial e voltar a dar prioridade aos interesses do país. Neste Comentário, fala sobre o assunto o professor Hugh Patrick, que dirige o Centro sobre Economia e Negócios Japoneses da Escola de Administração da Universidade de Columbia.

— De que modo afetará o Japão a perspectiva de que Trump reinicialize as bases da economia dos Estados Unidos e crie postos de trabalho por meio de gastos em obras de infraestrutura e de generosas reduções de impostos?

“O crescimento da economia americana será mais rápido e, juntamente com obras de infraestrutura, o quadro resultante beneficiará o Japão. Quando crescem mais rápido, os Estados Unidos importam mais. Um efeito direto será um aumento das exportações do Japão para o mercado americano. Outro efeito direto será fazer dos Estados Unidos um lugar mais atraente para algumas formas de investimentos diretos por empresas japonesas à medida que elas reconheçam oportunidades em obras de infraestrutura e em outros setores.

A economia global crescerá de um modo melhor e haverá um aumento das exportações japonesas não só para o mercado americano como para mercados de outras partes do mundo. Provavelmente haverá também mais oportunidades de investimentos estrangeiros.”

— Que impacto haverá sobre o Japão agora que Trump pretende afastar os Estados Unidos do acordo de livre-comércio Parceria Transpacífico?

“O primeiro-ministro do Japão afirmou que o acordo perderá o seu sentido sem a participação americana. Não é verdade. Em que pese a opinião do premiê, pode haver uma Parceria Transpacífico com 11 nações, liderada pelo Japão — algo que beneficiaria os países membros, inclusive a nação japonesa. O Japão levaria a cabo o seu próprio processo interno, que é difícil, com medidas de reestruturação da sua agropecuária. Não prevejo um grande efeito sobre a economia japonesa.

Em certo sentido, o acordo não terá provavelmente um grande efeito econômico, pois veio a se tornar um símbolo do envolvimento dos Estados Unidos em políticas para a Ásia. Ora, as tarifas alfandegárias já são basicamente baixas, o comércio é bom e a Parceria Transpacífico deverá eliminar mais e mais tarifas. Assim, na totalidade da situação, quando se observa o acordo em um contexto maior, o impacto não será tão grande.

Cabe aqui definir esse contexto maior. As relações entre os Estados Unidos e o Japão ficarão mais restritas ou menos restritas? Acredito que vão ficar mais restritas por causa da China. As relações entre os Estados Unidos e a China serão complexas e difíceis. Em consequência, nessa espécie de jogo complicado, o Japão será visto como um aliado por Trump, um aliado que ele tentará manter satisfeito.”

Fonte: NHK

Bolsa de Tóquio sobe pelo segundo dia consecutivo, após comentários de Yellen

A Bolsa de Tóquio fechou em alta pelo segundo dia consecutivo nesta quinta-feira (19), impulsionada pela perspectiva de juros mais altos e de fortalecimento do dólar após comentários da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Janet Yellen.

O Nikkei, índice que reúne as empresas mais negociadas na capital do Japão, subiu 0,94%, a 19.072,25 pontos, depois de registrar ganho de 0,43% no pregão anterior.

Em discurso ontem, Yellen disse que demorar muito para elevar as taxas de juros pode levar a uma "desagradável surpresa" na forma de inflação. Dados publicados na quarta-feira mostraram que a inflação anual ao consumidor dos EUA ultrapassou 2% pela primeira vez em dois anos e meio em dezembro. A fala de Yellen reforçou a expectativa de que o Fed continuará aumentando os juros básicos este ano, após o ajuste do mês passado.

A expectativa de juros mais altos impulsionou ações de seguradoras em Tóquio: Dai-ichi Life Holdings e T&D Holdings avançaram 2,8% e 2,4%, respectivamente.

Além disso, o iene se enfraqueceu frente ao dólar durante a madrugada, favorecendo papéis dos setores industrial e de eletrônicos, caso da Sharp (+4,6%) e da Fanuc (+3,7%).

A Toshiba, por outro lado, sofreu um tombo de 16%, após notícia de que as perdas da empresa relacionadas a atividades de energia nuclear podem superar 500 bilhões de ienes (US$ 4,4 bilhões), mais do que se previa anteriormente.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Premiê do Reino Unido diz que país vai se desvincular totalmente da União Europeia

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, afirmou que seu país vai se desvincular totalmente da União Europeia.

Em seu muito aguardado discurso sobre o chamado Brexit, na terça-feira, 17, May delineou a estratégia de seu governo para deixar o bloco. Ela estabeleceu doze objetivos de negociação. Disse que não quer uma filiação parcial ou qualquer coisa de deixe o Reino Unido "metade dentro e metade fora".

A premiê britânica havia sugerido anteriormente que tentaria manter o acesso ao mercado único, ao passo que restringiria a imigração. No entanto, os líderes da União Europeia declararam que o Reino Unido não poderá escolher apenas o que lhe convém dentro do bloco.

Segundo analistas, a saída do país do mercado único pode afetar negativamente instituições financeiras e empresas exportadoras com sede no Reino Unido. Eles disseram ainda que a medida pode causar transtornos aos mercados financeiros.

Fonte: NHK

Presidente chinês critica protecionismo em Fórum de Davos

O presidente da China, Xi Jinping, disse ser contra políticas protecionistas. O comentário foi uma aparente resposta à filosofia "América em primeiro lugar" de Donald Trump, o presidente eleito dos Estados Unidos.

O presidente chinês deu a declaração na terça-feira, em um discurso de abertura do Fórum Econômico Mundial na cidade suíça de Davos.

De acordo com Xi, o mundo tem enfrentado uma onda de incertezas cada vez maior ao ter de lidar com questões como o terrorismo e a crise de refugiados.

Mas, segundo o presidente chinês, a globalização não deveria ser responsabilizada por todos os problemas do planeta e nem pela crise econômica mundial.

Por fim, Xi disse ser contra políticas protecionistas. Em suas palavras, ninguém sairia vencedor de uma espécie de guerra comercial.

Fonte: NHK

Em pregão volátil, Bolsa de Tóquio fecha em alta após perdas recentes

A Bolsa de Tóquio fechou em alta moderada nesta quarta-feira (18), após dois pregões de perdas acentuadas, em meio ao enfraquecimento do iene frente ao dólar.

O Nikkei, que reúne as empresas mais negociadas na capital do Japão, subiu 0,43%, a 18.894,37 pontos, depois de recuar 1,48% ontem e 1% na segunda-feira.

Apesar do fechamento positivo, a sessão de hoje no mercado japonês foi volátil, diante de incertezas sobre as futuras políticas do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que assume o controle da Casa Branca na sexta-feira (20).

Destacaram-se em Tóquio a siderúrgica Nippon Steel & Sumitomo Metal (+4,9%), a incorporadora Mitsui Fudosan (+2,8%) e o conglomerado industrial Toshiba (+2,4%), que anunciou estar considerando a cisão de sua unidade de semicondutores.

Após exibir ganhos recentes, o iene se desvalorizou ante o dólar durante os negócios asiáticos, favorecendo os papéis do setor exportador, caso das montadoras Honda (+1,49%), Nissan (+1,27%) e Suzuki (+0,90%).

Brexit pode fazer empresas japonesas reverem estratégia na Europa

Empresas japonesas vão provavelmente rever suas estratégias de negócios na Europa após a premiê do Reino Unido, Theresa May, ter dito que o país vai tentar sair completamente da União Europeia.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, até outubro de 2015, o Reino Unido abrigava mais de mil companhias japonesas, atrás somente da Alemanha.

Muitas empresas do Japão veem o Reino Unido como um centro de negócios na Europa. Além disso, o país tem o inglês como língua oficial e carrega a fama de proporcionar ambientes favoráveis para o setor empresarial.

Muitas montadoras japonesas, entre elas a Nissan, a Toyota e a Honda, têm fábricas no Reino Unido. Em outubro do ano passado, a Nissan havia anunciado que iria continuar a produzir veículos no país mesmo após a sua saída da União Europeia.

Na época, a empresa japonesa disse que a decisão havia sido motivada pelo apoio e garantias oferecidas pelo governo britânico.

Mas a Nissan talvez reveja a decisão. Caso o Reino Unido saia do mercado comum europeu, tarifas podem vir a ser impostas em veículos exportados do território britânico para países que fazem parte da União Europeia. A Nissan vai analisar como uma eventual saída completa dos britânicos afetaria as suas operações.

Fonte: NHK

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Equipe econômica prevê queda de 0,5% do PIB no 4º trimestre

BRASÍLIA - O Brasil completou em 2016 dois anos de recessão econômica, segundo cálculos do governo. A equipe econômica estima que a atividade encolheu 0,5% no último trimestre do ano passado em relação aos três meses anteriores.

Caso seja confirmado pelo IBGE, instituto oficial de estatísticas, em divulgação prevista para o dia 7 de março, o resultado será o oitavo negativo consecutivo nessa base de comparação e levará à queda de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016.

Para economistas, medidas microeconômicas anunciadas pelo governo no final do ano passado não devem reativar atividades no País

Apesar do peso negativo que esse dado arrastará para 2017, a área econômica está confiante de que haverá crescimento já no primeiro trimestre do ano. Uma fonte do governo compara a situação do primeiro semestre à do mesmo período de 2013, quando a desaceleração da economia ainda não se traduzia em números de atividade – o PIB cresceu 3% naquele ano.

Agora, a avaliação é de que a aceleração demorará a ser percebida pela população, embora já esteja em curso. Economistas, contudo, são mais cautelosos e avaliam que ainda não há sinais concretos de retomada, e o desemprego continuou crescendo no fim de 2016. Para eles, nem mesmo as medidas microeconômicas anunciadas no fim do ano passado devem reativar a atividade do País.

O governo acelerou a elaboração das medidas após crescente pressão para que o Ministério da Fazenda revertesse o quadro de perda de confiança na economia, reforçado justamente por mais um resultado negativo do PIB no terceiro trimestre. Uma das principais iniciativas adotadas foi a permissão de saques de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cuja estimativa de impacto é de R$ 30 bilhões – ainda não foi informado a partir de quando as retiradas poderão ser feitas.

Expectativa.“Apenas a autorização de saques das contas inativas do FGTS teria algum impacto marginal na atividade, mas não há nenhuma ‘injeção na veia’. O que pode ajudar a recuperação é a agenda de investimentos em infraestrutura, mas essas concessões só ganharão impulso em 2018”, avalia a economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada.

“É muito difícil ainda, porque estamos na metade de janeiro e não há nenhum indicador do mês fechado. Ainda está muito no início para dizer se vamos ter crescimento positivo ou não de fato”, afirma a economista Solange Srour, da ARX Investimentos, que projeta avanço de 0,5% no PIB em 2017.

A Tendências, por sua vez, manteve a previsão de alta de 0,7% na atividade este ano, mas já considera o número otimista. “O cenário é bem desafiador justamente por conta do efeito de carregamento (uma espécie de herança estatística ruim de um ano para o outro). Para se chegar a essa expansão, seria necessário um crescimento médio de 0,6% em cada trimestre deste ano”, explica Alessandra.

Na média, as projeções de economistas de mercado giram em torno de crescimento de 0,5% este ano, de acordo com o Boletim Focus do Banco Central. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê alta de 0,2% para a economia brasileira este ano.

Todos os números são mais pessimistas do que o sustentado pelo governo hoje, que é de avanço de 1% em 2017. No entanto, como antecipou o Estado, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já admitiu em conversas recentes com parlamentares que a economia pode crescer menos, algo como 0,5%.

O mais provável é que esse seja o valor a ser usado no decreto de programação orçamentária a ser editado em março, quando o governo terá de trazer suas contas para o cenário real da economia e definir o corte os gastos previstos no Orçamento. 

Fonte: Estadão

Bolsa de Tóquio fecha em baixa de 1,48%

A bolsa de Tóquio terminou a sessão em forte baixa nesta terça-feira, 17, com investidores cautelosos no aguardo do esperado discurso da primeira-ministra britânica, Theresa May, sobre o Brexit. 

No índice Nikkei, dos 225 principais valores, registrou-se queda de 1,48% aos 18.813,53 pontos.

Premiê Abe retorna ao Japão após giro por quatro países

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, retornou ao Japão na terça-feira à noite, 17, encerrando um giro por três países do Sudeste Asiático mais a Austrália.

O premiê desembarcou no aeroporto Haneda, em Tóquio.

Ele havia partido do Japão na quinta-feira passada, e visitado as Filipinas, Austrália, Indonésia e Vietnã.

O premiê japonês e os líderes dessas quatro nações concordaram em construir a cooperação econômica e estreitar os laços nos campos da segurança e defesa.

Nas Filipinas, Abe prometeu fornecer cerca de 8,7 bilhões de dólares nos próximos cinco anos como medida para ajudar o país a construir a infraestrutura.

O premiê japonês também se comprometeu a oferecer seis novos navios patrulha ao Vietnã, numa cooperação bilateral na área de segurança e defesa nacional marítima.

O premiê reafirmou aos líderes dos países visitados, a necessidade de se trabalhar mais estreitamente com o novo governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, a fim de manter a paz e estabilidade na região Ásia Pacífico.

Eles também enfatizaram a importância de destacar o Estado de direito diante das crescentes atividades marítimas da China.

Fonte: NHK

Continuidade da alta do dólar será maior preocupação do ano, dizem especialistas em Davos

DAVOS - Num momento em que as ações de política monetária são encaminhadas de formas opostas pelos principais bancos centrais do mundo, é a apreciação do dólar que será a maior preocupação para a economia global este ano, na avaliação de participantes do painel "Política Monetária: qual é o rumo?" , realizado pelo Fórum Econômico Mundial de Davos.

Para a maioria dos participantes, este pode ser um ponto de tensão no globo, levando, inclusive, a moratórias de países emergentes endividados na moeda americana. Na avaliação de Anthony Scaramucci, no entanto, um dos nomeados pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para compor o comitê de transição, o movimento pode ser positivo. "Eu não sei dizer o que vai acontecer exatamente (com o rumo do dólar). O que acho mais provável é que haverá um crescimento maior do que o previsto da economia americana, mesmo com o dólar subindo", disse.

O importante, de acordo com Scaramucci, é que os Estados Unidos puxarão a expansão global em 2017, criando um círculo virtuoso do consumo e da confiança, encabeçado mais pela classe média. "E isso é bom para o mundo", concluiu. Ele enfatizou que, historicamente, as taxas de juros americanas são baixas e que, dado o comportamento da economia global, é hora de normalizar. O integrante do governo americano disse que, como o mundo é injusto, um dos papéis do Estado é torna-lo um pouco mais igual.

Scaramucci disse também que a renda salarial média nos Estados Unidos atualmente está cerca de 10% menor do que no início da crise financeira internacional, que as pessoas estão tendo que trabalhar 16 horas por dia e citou um caso de família. "Este era o sentimento nos comícios do Trump", relatou.

O co-fundador e um dos principais executivos da empresa de gestão de ativos Carlyle Group, David Rubenstein, alertou para o fato de que se o dólar continuar a se fortalecer, será preciso fazer uma reestruturação porque muito da dívida de países é indexada à moeda americana. "Seria irônico que o México tivesse que ser socorrido pelo governo (americano)", disse, na frente do integrante da equipe de Trump. "Alguns mercados emergentes não aguentam muito tempo mais de alta do dólar", previu.

Rubenstein também colocou em dúvida a capacidade do governo americano de continuar se endividando para estimular a economia local sem incorrer em outro problema, o da inflação. "Se o dólar continuar a subir, este será o principal problema do mundo este ano", considerou.

Para o presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional Suíço, Thomas Jordan, a divergência entre as ações dos maiores bancos centrais do mundo não chega a ser uma coisa ruim.

Até porque, de acordo com ele, não há espaço para um afastamento muito maior dessas políticas que levem a posições mais radicais. Jordan acredita que o Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos) deva continuar elevando os juros, mas não por muito tempo. Até porque, citou, o dólar mais elevado é um ingrediente que passa a ser monitorado. "O movimento deve ser gradual e limitado", previu. Na sua avaliação, o fortalecimento do dólar pode até ser bom para a economia europeia, que fica mais competitiva do ponto de vista das exportações.

Momento caótico. Para o economista da Universidade de Harvard, Li Daokui, o mundo passa hoje por um período caótico, com o Fed anunciando há meses que vai elevar os juros. Com isso, observou, o dinheiro começa a voltar para a economia americana - mais de US$ 600 bilhões só da China. "O dinheiro está voltando e a China não está sozinha", disse. Isso, de acordo com ele, é uma prova de que a política monetária não está atingindo seu objetivo. "Talvez o Fed tenha que atuar de forma não convencional", sugeriu, sem dar mais detalhes.

Daokui ressaltou que todos os bancos centrais do mundo, com exceção do Fed, estão lidando com depreciação de suas moedas. "O dólar está hoje mais internacional, mais importante do que oito anos atrás", pontuou, acrescentando que todos precisam saber disso, inclusive Trump. O Fed também precisa ser mais internacional e ter noção de todo seu impacto mundial, segundo o economista. "Transmissão (da política monetária) é a palavra chave em 2017", considerou.

Já a professora da Universidade de Columbia, Carmen Reinhart, ressaltou que a atuação do Fed tem sido a mais lenta desde a sua fundação, em 1913. Uma preocupação que ela demonstrou foi a possibilidade de haver uma ação mais rápida do comitê com o início do novo governo. A alta do dólar, na avaliação da professora, pode levar a uma normalização desse ritmo, que é hoje muito mais distante para o Banco Central Europeu (BCE) e Banco do Japão (BoJ).

Carmen ressaltou que, desde a crise financeira de 2008, os BCs têm atuado mais na área de política fiscal. "Isso não quer dizer que o BC é uma sucursal do governo, mas tem feito mais política fiscal", considerou. Ela também acredita que a continuidade de uma forte apreciação do dólar pode gerar defaults nos mercados emergentes.

Já o presidente do UBS e ex-presidente do Deutsche Bundsbank (o Banco Central alemão), Axel Weber, não enxerga uma equalização das políticas monetárias - de um lado, o Fed e de outro, BCE e BoJ. "Acho que não vai equilibrar porque o BCE ainda vai continuar sua política, não vai seguir o Fed, mas todos devem agir de uma forma mais suave", estimou. Para ele, a combinação de política fiscal e monetária pode ser uma boa solução. Ele lembrou que, na Europa, todos estão em campanha política. "Agora é tempo para fazer promessas de campanha, de falar para os eleitores", salientou.

Para Weber, o Fed tem trilhado mais pelo caminho mais conhecido do que usando intervenções. Ao mesmo tempo, ele acredita que os bancos centrais começam a voltar a ter um enfoque mais amplo depois da crise, com o fortalecimento da política fiscal. "Apreciação do dólar atual dos últimos cinco meses não é uma novidade, é uma correção. Acho que vai continuar", disse, argumentando que taxas de juros na Ásia e na Europa também colocam mais pressão sobre o dólar. 

Fonte: Estadão

Artigo: "A viagem do premiê japonês e os futuros desafios do Japão"

Por Junichi Sugawara

O empenho do primeiro-ministro Abe para reforçar os laços econômicos, bem como os de segurança, com três países do Sudeste Asiático e a Austrália tem grande importância. Isto dado que o novo governo de Donald Trump nos Estados Unidos será empossado em breve.

Na minha opinião, foi importante o premiê ter conseguido conversar com as Filipinas, que preside este ano a Asean, e com o Vietnã, que encabeça a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico. Espera-se que os dois países exerçam papeis chave na região este ano.

A perspectiva de cooperação econômica na região ainda é incerta. Por um lado, o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, promete sair da TPP. Enquanto isso, a China está tentando estreitar a cooperação com outros países asiáticos através do Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura e outros canais.

Devido à relutância do lado americano em aprovar o pacto, o acordo de livre comércio conhecido como TPP não deve entrar em vigor tão cedo. Mas ainda há chances de que os Estados Unidos voltem para a TPP ou algo equivalente, ainda que isso leve alguns anos. Durante sua viagem, Abe deixou claro para as Filipinas, país que não é membro do acordo, que o Japão está disposto a manter seu comprometimento com a TPP. Ele também confirmou para a Austrália e o Vietnã que vai se empenhar pela implementação antecipada do pacto, cujos signatários incluem as duas nações. Acredito que as ações de Abe ajudaram a promover a TPP de um certo modo.

Por outro lado, os esforços do premiê para reiniciar as negociações ora paralisadas da Parceria Regional Econômica Abrangente, conhecida como RCEP, na sigla em inglês, não foram tão bem-sucedidos. Este pacto de livre comércio envolveria países do Leste Asiático, e as quatro nações visitadas por Abe participam das negociações.

A fim de obter progressos nas conversações da RCEP, é fundamental o envolvimento da China. Caso Donald Trump adote a política protecionista que ele alardeou durante sua campanha eleitoral, a tensão comercial entre os Estados Unidos e a China deve aumentar. Isso poderia ter um efeito negativo sobre as negociações da RCEP.

Para o Japão, o fechamento do acordo, que envolve parceiros comerciais de peso como China, Coreia do Sul e Índia, não apenas expandiria os mercados para produtos japoneses mas também promoveria reformas estruturais internas. O Japão, junto com outros países asiáticos, precisa convencer Trump que uma atitude protecionista seria prejudicial tanto para os Estados Unidos quanto para a região Ásia-Pacífico. Eles precisam convencer o presidente eleito de que manter o compromisso com a região está de acordo com os interesses nacionais americanos. 

Acredito que vai ser cada vez mais importante para os países asiáticos fazer um apelo em uníssono ao novo presidente americano para que ele mude de opinião.

Junichi Sugawara é pesquisador sênior do Instituto de Pesquisas Mizuho

Fonte: NHK

Japonesa Zen-Noh compra participação em joint venture da Amaggi e Louis Dreyfus

O grupo japonês Zen-Noh Grain Brasil tornou-se sócio na joint venture formada pela Amaggi e pela Louis Dreyfus Company (LDC) Brasil. O acordo foi assinado no final de 2016. A incorporação visa contribuir com as operações nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (região conhecida como Matopiba) e fortalecer a parceria no Terminal de Grãos no Maranhão (Tegram), que hoje representa uma das principais alternativas às rotas de exportação pelo sul e sudeste do país.

A Zen-Noh Grain Brasil é subsidiária brasileira da Zen-Noh Corporation. O acordo firmado está sujeito a condições usuais em transações, que incluem aprovações por parte de órgãos governamentais tanto no Brasil quanto no exterior.

Cada um dos três acionistas, de acordo com a Amaggi, deterá participação e direitos iguais na joint venture constituída em 2009, o que compreende os negócios de originação de grãos e operação de terminal portuário realizados por meio das subsidiárias Amaggi & LD Commodities S.A. e Amaggi & LDC Terminais Portuários S.A. nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ou seja, na região do Matopiba.

Com a incorporação da Zen-Noh a joint venture passa a contar com a experiência de uma das principais cooperativas do mundo. Hoje, a Zen-Noh representa mais de 1000 cooperativas agrícolas associadas e atua em diversos segmentos de negócios, incluindo pecuária, laticínios, grãos, frutas e vegetais. A Zen-Noh faz parte do Grupo JA (Japanese Agriculture) com sede em Tóquio e com escritórios espalhados no Brasil, Estados Unidos, Tailândia, Canadá, Inglaterra, Alemanha e China.

A joint venture criada em 2009 pela Amaggi e Louis Dreyfus tem estrutura própria comercial e administrativa e conta com 12 unidades de armazenagem de milho e soja.

Fonte: Olhar Direto

Japão e União Europeia voltam a debater parceria econômica

O Japão e a União Europeia estão reiniciando nesta terça-feira, 17, em Bruxelas, as negociações para a conclusão de um Acordo de Parceria Econômica.

Os dois lados esperavam chegar aos termos gerais do acordo até o final de 2016, mas não conseguiram reduzir suas diferenças. O Japão tem pedido pela remoção das tarifas sobre carros, enquanto a União Europeia quer que o lado japonês elimine ou reduza as tarifas sobre laticínios e carne de porco, entre outros produtos.

O Japão está voltando sua atenção ao pacto com o bloco europeu após o futuro do acordo de livre comércio Parceria Transpacífico ter se tornado incerto. O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, disse repetidas vezes que vai retirar seu país da Parceria assim que assumir o cargo.

Autoridades da União Europeia parecem estar ansiosas para fazer progressos com o Japão o quanto antes, uma vez que os lados que pedem pela proteção do emprego e da indústria nacional devem ganhar espaço nas eleições que ocorrem ainda este ano na Holanda, França e Alemanha.

Analistas dizem que os negociadores vão enfrentar duros desafios para chegar a um acordo.

Fonte: NHK

Premiê japonês promete trabalhar pela paz e prosperidade na região Ásia-Pacífico

O premiê do Japão, Shinzo Abe, prometeu trabalhar pela paz e prosperidade na região Ásia-Pacífico.

Ele fez a declaração durante um discurso proferido em Hanói, ao final do giro por Filipinas, Austrália, Indonésia e Vietnã. Abe disse que os países que visitou são vizinhos importantes, que compartilham do Oceano Pacífico e dos mesmos valores fundamentais. Ele afirmou que os líderes das 4 nações concordaram integralmente com ele sobre a importância vital da liberdade de navegação, e que para garantir esse princípio, o direito internacional deve ser respeitado completamente.

Abe também disse que, com base nas fortes fundações da aliança nipo-americana, irá consolidar a paz e prosperidade na região que se estende da Ásia até os limites do Círculo do Pacífico e do Oceano Índico.

O comentário foi visto como um sinal de que ele terá um papel de liderança na paz e prosperidade regional, tendo em mente as crescentes atividades marítimas da China.

Fonte: NHK

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Bolsa de Tóquio cai, em meio a iene forte e cautela antes da posse de Trump

A Bolsa de Tóquio fechou em baixa nesta segunda-feira (16), à medida que o iene voltou a se fortalecer ante o dólar e os investidores demonstraram cautela antes da posse do presidente eleito dos EUA, Donald Trump.

O índice Nikkei, que reúne as ações mais negociadas na capital do Japão, caiu 1%, a 19.095,24 pontos, ampliando as perdas de 0,86% que acumulou na semana passada.

Esperanças de que Trump seja agressivo na adoção de estímulos fiscais ajudaram a impulsionar os mercados acionários globais desde o início de novembro, mas o sentimento agora é de relutância antes que o republicano apresente planos concretos. Na última quarta-feira, Trump decepcionou na primeira entrevista coletiva desde sua eleição, ao falar muito pouco sobre iniciativas para a economia.

A bolsa japonesa deverá ter uma semana difícil antes da posse de Trump, marcada para sexta-feira (20), segundo Tomoichiro Kubota, analista de mercado sênior da Matsui Securities.

Além disso, persistem temores de que a saída do Reino Unido da União Europeia (o chamado "Brexit") seja "dura", o que ajudou a impulsionar o iene em relação ao dólar e outras moedas durante a madrugada. Em momentos de incerteza, a divisa do Japão costuma atrair maior demanda.

A operadora japonesa de serviço postal, a Japan Post Holdings, foi destaque de baixa hoje em Tóquio, com queda de 4,9%, após notícia de que o Ministério de Finanças do país pretende vender uma fatia adicional na empresa, talvez já em meados deste ano. Subsidiárias do grupo, Japan Post Bank e Japan Post Insurance recuaram 5,1% e 3,6%, respectivamente.

Já a Nippon Steel & Sumitomo Metal teve queda de 4,1%, depois de a siderúrgica estimar que demorará oito meses para regularizar a produção em uma de suas fábricas, atingida por um incêndio no último dia 6.

A Nintendo, por sua vez, caiu 2,3%, ampliando desvalorização recente após os preços elevados de seu novo console de vídeo game, o Switch, decepcionarem participantes do mercado.

Indonésia e Japão aprofundam laços contra a assertividade da China

O Japão e a Indonésia aprofundaram os laços econômicos e políticos durante uma visita do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que está usando uma turnê por quatro países da Ásia para destacar o papel do governo contra a assertividade da China no Mar do Sul da China.

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, disse que o aumento do investimento japonês na Indonésia tem sido "muito significativo" duplicando para US$ 4,5 bilhões entre janeiro e setembro do ano passado.

Ele disse que os países realizaram acordos de defesa e que os ministros conjuntamente estabelecerão neste ano 215 acordos de cooperação marítima.

Widodo disse que houve acordos sobre o desenvolvimento de um porto em Masela, na Indonésia, e para discussões preliminares de uma linha ferroviária que ligará a capital Jacarta com a cidade de Surabaya.

A China tem divergências sobre fronteiras marítimas e zonas de responsabilidade no mar do Sul da China e no mar da China Oriental com uma série de países da região - Japão, Vietnã e Filipinas. A China reivindica a região e diz que o Vietnã e as Filipinas se aproveitam do apoio norte-americano na escalada da tensão na região.