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domingo, 30 de novembro de 2014

Primeiro-ministro do Japão promete estímulo ao consumo

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, prometeu neste domingo redobrar os esforços para aumentar o consumo pessoal no Japão por meio de medidas adicionais de estímulo, de acordo com a agência de notícias Kyodo News.

Em um debate político televisionado com líderes de outros partidos políticos antes das eleições do Parlamento, de 14 de dezembro, Abe, que lidera o Partido Liberal Democrata (PLD), admitiu que os efeitos de sua política "Abenomics", de combinação de flexibilização monetária, estímulos fiscais e reformas com foco em crescimento, ainda não atingiram as áreas rurais do país. 

"Abenomics ainda está na metade do caminho" para alcançar seus objetivos, disse o primeiro-ministro, com novas medidas de estímulos sendo necessárias para estimular o consumo. 

A economia do Japão encolheu em taxa real anualizada de 1,6% no terceiro trimestre, no segundo trimestre consecutivo de queda, uma vez que entre abril e julho o país apresentou um recuo de 7,3%, em consequência de um aumento do imposto sobre consumo de 5% para 8%, realizado em abril.

Fonte: Dow Jones Newswires

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Presidente do BC do Japão diz que está pronto para aumentar estímulos contra deflação

O presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, ressaltou nesta terça-feira a disponibilidade do banco central de expandir ainda mais os estímulos para cumprir sua meta de inflação. 

Em discurso para líderes empresariais, Kuroda manteve-se firme diante das críticas de que a flexibilização monetária inesperada do mês passado acelerou as quedas indesejadas na moeda, dizendo que o BC "continuará tomando medidas" para vencer a deflação. 

Mas nem todos dos nove membros do conselho dividem o otimismo de Kuroda de que os benefícios de mais estímulo superam os custos, mostrou a ata da reunião do BC no mês passado, sugerindo que o presidente do banco central pode ter dificuldades para avançar com mais flexibilização. 

"Para alcançar o objetivo da estabilidade dos preços, o Banco do Japão tem agido e continuará a fazê-lo", disse ele a líderes empresariais em Nagoia. 

Fonte: AE

Japão: estímulo do BoJ foi justificável, diz conselheiro

O último estímulo monetário anunciado pelo Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) foi justificado para manter a inflação do país em direção à meta, de 2% ao ano, disse Sayuri Shirai, um dos cinco membros do conselho de política monetária do banco central japonês que votaram a favor do relaxamento. "Temos o compromisso de agir quando necessários", disse, em discurso para executivos em Hiroshima.

A inflação é o indicador que mais preocupa os agentes econômicos do Japão. Em setembro, o núcleo do índice de preços ao consumidor desacelerou para 1,1%, de 1,0% em agosto. Muitos analistas apostam em novas reduções nos meses seguintes, o que preocupa o governo e o banco central. Para estimular a demanda, o BoJ anunciou no último dia 31 a ampliação do seu volume anual de compra de ativos para 80 trilhões de ienes, da faixa anterior de 60 trilhões de ienes a 70 trilhões de ienes.

Shirai, considerado pelo mercado um conselheiro que reluta em aceitar medidas de estímulo, surpreendeu ao votar a favor do relaxamento. "Era necessário dar prioridade para assegurar o caminho em direção à meta de inflação de 2% por medidas adicionais", disse Shirai, acrescentando que "por não agir, o BOJ poderia ter arriscado sua credibilidade." 

Fonte: Dow Jones Newswires

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Japão pode ampliar recalls de carros com airbags da Takata

Honda e Mazda podem ter que fazer o recall de mais 200 mil carros no Japão para substituir airbags da Takata, caso a Takata cumpra uma ordem dos Estados Unidos para realizar o recall de automóveis em todo o país em vez de apenas em regiões úmidas. 

Diversas montadoras nos EUA convocaram recalls regionais de certos modelos para investigar o que está fazendo com que alguns airbags da Takata explodam com força excessiva. Reguladores de segurança dos EUA emitiram ordem para que a Takata amplie estes recalls para todo o país. 

A companhia japonesa até agora tem resistido a um recall mais amplo nos EUA, dizendo que isso poderia desviar peças de substituição para longe das regiões com alta umidade que considera que precisam mais das peças - devido à possibilidade de que a umidade esteja interferindo na mistura química do sistema de inflamento do airbag. A Takata tem até terça-feira para responder à ordem do regulador norte-americano. 

Tanto a Takata quanto as autoridades ainda não sabem exatamente porque alguns airbags se provaram letais, com os infladores explodindo e lançando pedaços de metal contra ocupantes do veículo. Ao menos cinco mortes foram ligadas a acidentes do tipo, todos em carros da Honda. 

Conforme as investigações nos EUA avançam, um recall ampliado pode ter um efeito dominó em outros mercados onde carros usam infladores de airbags dos mesmos lotes potencialmente defeituosos. 

Uma autoridade do ministério de Transportes do Japão disse que um recall em todo os EUA podem acrescentar 200 mil carros da Honda e da Mazda aos 2,6 milhões de automóveis equipados com airbags da Takata já convocados para recall no Japão. 

Fonte: Reuters

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Iene perdeu força em ritmo muito rápido, diz ministro

O ministro de Finanças do Japão, Taro Aso, mostrou-se preocupado com a forte desvalorização do iene nos últimos dias. "O ritmo de queda na semana passada foi muito rápido", afirmou, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira.

Em geral, as autoridades japonesas costumam comemorar quando a moeda japonesa se desvaloriza, pois o movimento acaba beneficiando as principais empresas exportadores do país, que são pagas em dólar. No, em menos de um mês, o dólar saltou de 107 ienes para 118 ienes, com a maior desvalorização sendo observada na semana passada. 

A tendência de alta na moeda norte-americana frente ao iene ocorre desde o último dia 31 de outubro, quando o Banco do Japão (BoJ) anunciou que elevaria seu volume anual de compra de ativos para 80 trilhões de ienes, da faixa anterior entre 60 trilhões de ienes e 70 trilhões de ienes. Foi uma medida de relaxamento monetário, em uma tentativa de estimular a economia.

Aso, no entanto, parece começar a se preocupar. Ele disse que grandes oscilações na taxa de câmbio são indesejáveis, acrescentando que "elas poderiam ter várias repercussões para a economia." O ministro também reiterou sua posição de longa data para o mercado de câmbio, dizendo que "o mercado é quem deve determinar a taxa de câmbio", não o banco central. 

Fonte: Dow Jones Newswires

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Como o superendividado Japão tenta sair da recessão

As duas semanas mais recentes foram tumultuadas para os governantes japoneses. Primeiro, o Banco Central Japonês ampliou dramaticamente seu programa de afrouxamento quantitativo em resposta aos fracos números do crescimento e da inflação. Então, novos dados revelaram que a economia japonesa encolheu a um ritmo anual de 1,6% no terceiro trimestre, quando a expectativa era de crescimento. Tal declínio foi a segunda contração trimestral seguida, o que coloca o Japão em recessão técnica. 

O primeiro-ministro Shinzo Abe anunciou a convocação de eleições antecipadas com o objetivo de consolidar o mandato para adiar uma alta iminente no imposto sobre o consumo no país. O aumento no imposto sobre o consumo é parte de uma estratégia projetada para controlar a dívida do governo japonês, que agora já ultrapassou a casa dos 240% do PIB, sendo que o governo continua a acumular déficit anuais de aproximadamente 8% do PIB. Mas a primeira parte da estratégia de redução do déficit, uma alta inicial no imposto sobre o consumo que ocorreu este ano, parece ter contribuído significativamente para a desaceleração econômica japonesa.

O drama do Japão nos traz algumas perguntas. Primeiro, o que está havendo com a economia do país, que é jogada na recessão com um aumento no imposto sobre o consumo? Pode parecer estranho que um aumento na taxa de consumo de 5% para 8% possa tirar do prumo aquela que até o segundo trimestre do ano era uma recuperação de aparência relativamente robusta. Mas não sei exatamente até que ponto deveríamos estar surpresos. Levando-se em consideração um enfraquecimento geral do crescimento em todo o mundo, poucas economias podem contar com a demanda externa para fazer avançar suas próprias recuperações (como fez o Japão em meados da década de 2000). As economias que apresentam crescimento robusto hoje - Estados Unidos e Grã-Bretanha - estão claramente evitando depositar suas fichas num aumento das exportações líquidas. Em vez disso, cabe à demanda interna suportar o fardo. No Japão, isso significa a mobilização de sua significativa poupança privada no rumo do consumo e do investimento.

E isso, por sua vez, significa vencer a deflação. Uma inflação mais alta significaria que os lares japoneses passariam a esperar uma lenta erosão de suas poupanças, a não ser que suas pilhas de ienes sejam bem empregadas. Em contraste, a deflação permite que os lares japoneses obtenham um retorno positivo sobre suas poupanças mesmo quando os juros estão encalhados perto do zero.

Mas, para reestabelecer uma inflação consistentemente positiva, é preciso jogar o jogo da confiança. Se os lares acreditarem que vão gastar, as empresas vão contratar e os preços vão aumentar. Se os lares duvidarem do compromisso do governo com a geração de uma inflação maior, o resultado será a derrota. A alta inicial na taxa sobre o consumo certamente teve um efeito poderoso nas escolhas de consumo; o PIB real cresceu ao ritmo anual de 6,7% no primeiro trimestre conforme as pessoas anteciparam as compras para evitar a alta no imposto, e então teve queda de 7,3% no segundo trimestre. Mas a persistência do efeito negativo provavelmente reflete uma perda de confiança na possibilidade de vencer a batalha contra a deflação. A alta no imposto sobre o consumo é claramente contraditória, e não é o tipo de medida que um governo adota quando está completamente comprometido com o aumento da inflação e dos juros.

Segundo, será que deveríamos estar preocupados com o fato de o Japão não estar lidando com seus problemas fiscais? Essa é a pergunta realmente importante.

Uma resposta é que a determinação de aumentar os impostos e/ou cortar gastos não está exatamente no núcleo da questão. Em vez disso, o grande problema tem sido a incapacidade de administrar o crescimento na produção nominal.É muito difícil reduzir a proporção entre dívida e PIB numa economia na qual o denominador se recusa a crescer.

Outra resposta é que pode chegar um momento de se preocupar com a dívida, mas ainda não estamos nele. Os mecanismos normais por meio dos quais os mercados preocupados com a dívida registram seu descontentamento (e inibem o crescimento) simplesmente não são um problema no Japão. Os juros raramente foram mais baixos. O problema está na inflação, baixa demais. Como disse Paul Krugman, uma perda da confiança do mercado na situação fiscal japonesa não seria necessariamente algo negativo; se o fluxo de saída de capitais levar a uma desvalorização do iene e a um aumento na inflação, isso seria um resultado que o Banco Central Japonês receberia positivamente. E um grave pânico de endividamento não precisa ser uma preocupação desde que os mercados tenham fé que o Japão poderia resolver seus problemas fiscais caso isso se tornasse imprescindível. Levando-se em consideração a prontidão com a qual o Japão levou a cabo a alta inicial nos impostos, apesar dos juros baixíssimos, parece razoável concluir que uma alta significativa no custo pago pelo governo sobre os empréstimos levaria a uma maior consolidação fiscal. Assim sendo, por enquanto as preocupações fiscais são coadjuvantes das políticas de estímulo ao crescimento.

E há ainda outra resposta segundo a qual o Japão já foi uma folha bastante suja, mas se torna cada vez mais limpo dia a dia. Entre os grandes emissores de obrigações as economias da zona do euro estão galgando posições rapidamente. Essas economias da zona do euro não têm seu próprio banco central, e o banco central do qual elas podem dispôr está muito menos disposto a comprar títulos do governo do que o Banco Central Japonês. Se obrigações líquidas de países ricos são um recurso raro e precioso, então os problemas na zona do euro são boa notícia para o Japão. E mais um sinal de que o país deveria se preocupar menos com seus rombos fiscais.

Mas é preciso ser claro quanto à natureza do problema do endividamento japonês. Sua proporção entre dívida bruta do governo e PIB é superior a 240%, o que parece péssimo. Mas, se excluirmos o valor da dívida que cabe a diferentes ramos do governo japonês, essa proporção cai para menos de 140%. Só o Banco Central Japonês é dono de cerca de 20% das obrigações do governo japonês em aberto, a cada ano comprando mais papéis do que o governo consegue emitir, por mais gastão que seja. E, apesar de tudo isso, os juros e a inflação estão tão baixos quanto o possível. O Japão está avançando rapidamente rumo a um mundo no qual é possível simplesmente deixar de lado as obrigações com as quais todos disseram que seria necessário arcar. Trata-se da monetização da dívida, o verdadeiro arauto da hiperinflação. Mas a hiperinflação deve ser a última das preocupações japonesas.

De certa maneira é irônico: ao desferir um golpe contra a economia e reforçar pressões deflacionárias, a alta no imposto sobre o consumo, que deveria ser um passo para lidar com a dívida acumulada pelo Japão, pode ter aberto o caminho para a fúria aquisitiva do Banco Central japonês, e para a monetização. É claro que isso não representaria um almoço grátis. Se acreditarmos que o Japão teria funcionado como uma economia mais ou menos normal nas duas décadas passadas se não estivesse encalhado no limiar inferior próximo a zero, então sua experiência na armadilha deflacionária custou trilhões de dólares à economia em termos de produção, e custou aos trabalhadores japoneses incontáveis empregos e aumentos salariais.

Mas, a esta altura, o debate em relação ao que o Japão deve fazer em relação à sua dívida é um pouco absurdo. Não há retidão fiscal capaz de permitir que o Japão escape do seu dilema no longo prazo. E, enquanto o país estiver metido nesse longo atoleiro, a dívida do governo seguirá aumentando, até afetar o balanço patrimonial do Banco Central Japonês. É difícil ver como podem ser úteis os aumentos nos impostos que prejudicam os esforços para derrotar a deflação. É preciso deixar claro que isso está abrindo caminho para algo ainda menos conhecido e mais bizarro do que as atuais dificuldades japonesas: a monetização de um volume imenso de dívidas do governo sem nenhuma consequência inflacionária. 

© 2014 The Economist Newspaper Limited. Todos os direitos reservados.As duas semanas mais recentes foram tumultuadas para os governantes japoneses. Primeiro, o Banco Central Japonês ampliou dramaticamente seu programa de afrouxamento quantitativo em resposta aos fracos números do crescimento e da inflação. Então, novos dados revelaram que a economia japonesa encolheu a um ritmo anual de 1,6% no terceiro trimestre, quando a expectativa era de crescimento. Tal declínio foi a segunda contração trimestral seguida, o que coloca o Japão em recessão técnica. O primeiro-ministro Shinzo Abe anunciou a convocação de eleições antecipadas com o objetivo de consolidar o mandato para adiar uma alta iminente no imposto sobre o consumo no país. O aumento no imposto sobre o consumo é parte de uma estratégia projetada para controlar a dívida do governo japonês, que agora já ultrapassou a casa dos 240% do PIB, sendo que o governo continua a acumular déficit anuais de aproximadamente 8% do PIB. Mas a primeira parte da estratégia de redução do déficit, uma alta inicial no imposto sobre o consumo que ocorreu este ano, parece ter contribuído significativamente para a desaceleração econômica japonesa.

O drama do Japão nos traz algumas perguntas. Primeiro, o que está havendo com a economia do país, que é jogada na recessão com um aumento no imposto sobre o consumo? Pode parecer estranho que um aumento na taxa de consumo de 5% para 8% possa tirar do prumo aquela que até o segundo trimestre do ano era uma recuperação de aparência relativamente robusta. Mas não sei exatamente até que ponto deveríamos estar surpresos. Levando-se em consideração um enfraquecimento geral do crescimento em todo o mundo, poucas economias podem contar com a demanda externa para fazer avançar suas próprias recuperações (como fez o Japão em meados da década de 2000). As economias que apresentam crescimento robusto hoje - Estados Unidos e Grã-Bretanha - estão claramente evitando depositar suas fichas num aumento das exportações líquidas. Em vez disso, cabe à demanda interna suportar o fardo. No Japão, isso significa a mobilização de sua significativa poupança privada no rumo do consumo e do investimento.

E isso, por sua vez, significa vencer a deflação. Uma inflação mais alta significaria que os lares japoneses passariam a esperar uma lenta erosão de suas poupanças, a não ser que suas pilhas de ienes sejam bem empregadas. Em contraste, a deflação permite que os lares japoneses obtenham um retorno positivo sobre suas poupanças mesmo quando os juros estão encalhados perto do zero.

Mas, para reestabelecer uma inflação consistentemente positiva, é preciso jogar o jogo da confiança. Se os lares acreditarem que vão gastar, as empresas vão contratar e os preços vão aumentar. Se os lares duvidarem do compromisso do governo com a geração de uma inflação maior, o resultado será a derrota. A alta inicial na taxa sobre o consumo certamente teve um efeito poderoso nas escolhas de consumo; o PIB real cresceu ao ritmo anual de 6,7% no primeiro trimestre conforme as pessoas anteciparam as compras para evitar a alta no imposto, e então teve queda de 7,3% no segundo trimestre. Mas a persistência do efeito negativo provavelmente reflete uma perda de confiança na possibilidade de vencer a batalha contra a deflação. A alta no imposto sobre o consumo é claramente contraditória, e não é o tipo de medida que um governo adota quando está completamente comprometido com o aumento da inflação e dos juros.

Segundo, será que deveríamos estar preocupados com o fato de o Japão não estar lidando com seus problemas fiscais? Essa é a pergunta realmente importante.

Uma resposta é que a determinação de aumentar os impostos e/ou cortar gastos não está exatamente no núcleo da questão. Em vez disso, o grande problema tem sido a incapacidade de administrar o crescimento na produção nominal.É muito difícil reduzir a proporção entre dívida e PIB numa economia na qual o denominador se recusa a crescer.

Outra resposta é que pode chegar um momento de se preocupar com a dívida, mas ainda não estamos nele. Os mecanismos normais por meio dos quais os mercados preocupados com a dívida registram seu descontentamento (e inibem o crescimento) simplesmente não são um problema no Japão. Os juros raramente foram mais baixos. O problema está na inflação, baixa demais. Como disse Paul Krugman, uma perda da confiança do mercado na situação fiscal japonesa não seria necessariamente algo negativo; se o fluxo de saída de capitais levar a uma desvalorização do iene e a um aumento na inflação, isso seria um resultado que o Banco Central Japonês receberia positivamente. E um grave pânico de endividamento não precisa ser uma preocupação desde que os mercados tenham fé que o Japão poderia resolver seus problemas fiscais caso isso se tornasse imprescindível. Levando-se em consideração a prontidão com a qual o Japão levou a cabo a alta inicial nos impostos, apesar dos juros baixíssimos, parece razoável concluir que uma alta significativa no custo pago pelo governo sobre os empréstimos levaria a uma maior consolidação fiscal. Assim sendo, por enquanto as preocupações fiscais são coadjuvantes das políticas de estímulo ao crescimento.

E há ainda outra resposta segundo a qual o Japão já foi uma folha bastante suja, mas se torna cada vez mais limpo dia a dia. Entre os grandes emissores de obrigações as economias da zona do euro estão galgando posições rapidamente. Essas economias da zona do euro não têm seu próprio banco central, e o banco central do qual elas podem dispôr está muito menos disposto a comprar títulos do governo do que o Banco Central Japonês. Se obrigações líquidas de países ricos são um recurso raro e precioso, então os problemas na zona do euro são boa notícia para o Japão. E mais um sinal de que o país deveria se preocupar menos com seus rombos fiscais.

Mas é preciso ser claro quanto à natureza do problema do endividamento japonês. Sua proporção entre dívida bruta do governo e PIB é superior a 240%, o que parece péssimo. Mas, se excluirmos o valor da dívida que cabe a diferentes ramos do governo japonês, essa proporção cai para menos de 140%. Só o Banco Central Japonês é dono de cerca de 20% das obrigações do governo japonês em aberto, a cada ano comprando mais papéis do que o governo consegue emitir, por mais gastão que seja. E, apesar de tudo isso, os juros e a inflação estão tão baixos quanto o possível. O Japão está avançando rapidamente rumo a um mundo no qual é possível simplesmente deixar de lado as obrigações com as quais todos disseram que seria necessário arcar. Trata-se da monetização da dívida, o verdadeiro arauto da hiperinflação. Mas a hiperinflação deve ser a última das preocupações japonesas.

De certa maneira é irônico: ao desferir um golpe contra a economia e reforçar pressões deflacionárias, a alta no imposto sobre o consumo, que deveria ser um passo para lidar com a dívida acumulada pelo Japão, pode ter aberto o caminho para a fúria aquisitiva do Banco Central japonês, e para a monetização. É claro que isso não representaria um almoço grátis. Se acreditarmos que o Japão teria funcionado como uma economia mais ou menos normal nas duas décadas passadas se não estivesse encalhado no limiar inferior próximo a zero, então sua experiência na armadilha deflacionária custou trilhões de dólares à economia em termos de produção, e custou aos trabalhadores japoneses incontáveis empregos e aumentos salariais.

Mas, a esta altura, o debate em relação ao que o Japão deve fazer em relação à sua dívida é um pouco absurdo. Não há retidão fiscal capaz de permitir que o Japão escape do seu dilema no longo prazo. E, enquanto o país estiver metido nesse longo atoleiro, a dívida do governo seguirá aumentando, até afetar o balanço patrimonial do Banco Central Japonês. É difícil ver como podem ser úteis os aumentos nos impostos que prejudicam os esforços para derrotar a deflação. É preciso deixar claro que isso está abrindo caminho para algo ainda menos conhecido e mais bizarro do que as atuais dificuldades japonesas: a monetização de um volume imenso de dívidas do governo sem nenhuma consequência inflacionária. 

Fonte: The Economist 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Banco do Japão admite inflação abaixo de 1,0%

O presidente do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), Haruhiko Kuroda, admitiu nesta quarta-feira que há a possibilidade do núcleo da inflação do país cair para um nível abaixo de 1,0% em 12 meses, em declaração dada após a instituição financeira anunciar que mantém inalterada a sua política monetária.

Em outubro, o núcleo da inflação desacelerou para 1,0%, depois de ter atingido 1,1% em setembro. Apesar de admitir a possibilidade, Kuroda se mostra otimista. Segundo ele, "em algum momento" o consumo vai subir e as expectativas de preços vão crescer. "Há uma grande possibilidade da inflação chegar a 2% em meados do ano fiscal de 2015", disse.

O presidente do banco central afirmou ainda que a recessão técnica da economia japonesa se deve a três fatores: o aumento do imposto sobre vendas praticado em abril, de 5% para 8%, condições desfavoráveis do clima e ajustes de estoques das empresas. "Mas os efeitos do aumento do tributo no consumo estão perto de acabar", disse.

Questionado sobre o adiamento da segunda alta do imposto, anunciado ontem pelo premiê Shinzo Abe, Kuroda se recusou a falar em um primeiro momento, mas depois declarou que a medida tem um risco pequeno para a economia e adiantou que o banco central não deverá adotar mais medidas de estímulos por causa disso.

Ele ressaltou, porém, que espera que o governo siga firmemente com a reforma fiscal. "O Japão precisa manter a confiança do público em condições fiscais e é importante que o governo trabalha com a disciplina fiscal que está em destaque na sua política", afirmou.

Na terça-feira, o governo japonês anunciou que vai adiar para abril de 2017 o segundo aumento do imposto sobre vendas, inicialmente programado para outubro do ano que vem. A medida foi adotada logo depois da decepção do mercado com o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que recuou 1,6% na comparação anualizada, a segunda queda seguida em um trimestre, o que configura recessão técnica. O adiamento é uma tentativa de evitar mais estragos à economia. 

Fonte: Estadão (André Ítalo Rocha, com informações da Market News International)