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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Japão reina no setor de peças para smartphones


O domínio do Japão no setor de eletrônicos de consumo pode até ter diminuído, mas o de tecnologia ainda tem um bastião: as empresas que fabricam componentes de smartphones para a Apple Inc., AAPL -0.72% Samsung Electronics Co. 005930.SE +1.11% e outras multinacionais.

Enquanto fabricantes japonesas de eletrônicos de consumo como a Sony Corp. 6758.TO +3.89% e a Panasonic Corp. 6752.TO -0.30% perdem mercado para concorrentes de outros países, fabricantes de componentes como a Murata Manufacturing Co. 6981.OK +1.33% e a TDK Corp. 6762.TO -0.78% tornam-se cada vez mais importantes para clientes internacionais. Nenhuma delas revela o nome de seus clientes.

A Murata e a TDK, que fazem peças usadas em praticamente todos os dispositivos eletrônicos, tiveram lucro nos primeiros nove meses do ano fiscal que se encerrará em março, ajudadas por uma forte demanda por componentes de smartphones. No mesmo período, tanto a Sony quanto a Panasonic ficaram no vermelho.

Essas fabricantes de componentes correm um certo risco ao depender dos smartphones, pois o boom dos aparelhos pode perder fôlego. E ambas as empresas registraram vendas fracas de componentes para computadores pessoais, o que no mês passado levou a TDK a reduzir sua previsão de lucro para o atual ano fiscal.

Ainda assim, o setor de componentes do Japão, liderado pela Murata e a TDK, se manteve competitivo ao responder rapidamente às mudanças e fornecer peças para produtos populares. As duas empresas também foram além do mercado de smartphones e entraram no de equipamentos médicos, carros híbridos e outros para se proteger de uma queda na demanda por suas peças tradicionais.

A Murata, cuja sede fica em Kyoto, é a maior fabricante do mundo de módulos de comunicação sem fio e capacitores de cerâmica, enquanto a TDK, de Tóquio, é a maior fornecedora de indutores. Capacitores e indutores são usados em circuitos elétricos. A Murata tem entre 35% e 40% do mercado mundial de capacitores de cerâmica, seguida pela sul-coreana Samsung Electro-Mechanics Co., 009150.SE +1.60% que tem de 20% a 25%, segundo estimativas de Masahiro Wakasugi, analista da firma financeira americana Jefferies.

A Murata e a TDK vêm conseguindo se manter na liderança do mercado em parte por conservar suas áreas de pesquisa, desenvolvimento e produção dentro da empresa, tornando difícil para as concorrentes imitá-las. As duas também projetam e fazem os equipamentos de manufatura usados nas suas respectivas fábricas.

"As concorrentes hoje conseguem igualar nossos novos produtos mais rápido do que no passado, então precisamos estar sempre um ou dois passos à frente", diz o vice-presidente da Murata, Hiroshi Iwatsubo.

Os avançados smartphones de hoje usam mais de 600 capacitores de cerâmica em cada aparelho — cerca do triplo do que os celulares convencionais — e cada capacitor tem que ser o menor possível para deixar mais espaço para a bateria. Os engenheiros da Murata monitoram cada etapa do processo de produção, da fórmula para misturar o pó de cerâmica com outros ingredientes aos métodos de sobrepor as finíssimas camadas de cerâmica e de aquecê-las num forno.

A Murata detém em torno de 70% do mercado do menor capacitor de cerâmica, do tipo usado no iPhone 5, segundo uma projeção do analista Masaru Koshita, da Barclays Capital.

Nas décadas de 80 e 90, quando as marcas japonesas de eletrônicos dominavam o mercado mundial, a maioria dos clientes da Murata eram domésticos, segundo a empresa. Hoje, as firmas japonesas representam pouco mais de 20% da sua clientela.

O vice-presidente sênior da TDK, Seiji Osaka, diz que trabalhar com clientes estrangeiros requer maior velocidade no projeto, produção e entrega, assim como mais flexibilidade para reagir a mudanças na demanda.

A empresa, que começou fabricando o material magnético usado em indutores, sempre foi uma fornecedora de componentes. Embora a marca TDK seja mais conhecida por suas fitas cassetes e, mais recentemente, fones de ouvido e autofalantes, esses produtos de consumo são vendidos pela Imation Corp., IMN -0.58% dos Estados Unidos, que adquiriu os direitos de uso da marca em 2007.

Embora o mercado global de smartphones e tablets continue se expandindo, a Murata e a TDK estão tentando crescer em outras áreas.

"Quando os telefones se tornaram portáteis, mais de 20 anos atrás, eles não eram para consumidores. Eram considerados dispositivos industriais", diz Iwatsubo, da Murata. De modo semelhante, os dispositivos médicos hoje vistos somente em hospitais podem se tornar no futuro aparelhos pessoais, criando um enorme mercado para componentes, diz ele. Em julho, a Murata comprou a firma americana RF Monolithics Inc., sediada em Dallas, que fornece tecnologia sem fio para dispositivos médicos.

A TDK, como parte de sua estratégia de longo prazo, está se concentrando em componentes usados em carros elétricos e híbridos, assim como em sistemas de distribuição de energia para edifícios e cidades. A Murata também está tentando montar seu negócio de autopeças.

Os carros hoje são como computadores, e a quantidade de componentes eletrônicos usada no interior dos veículos continua crescendo, diz Osaka. "Os smartphones são os produtos de evolução mais rápida no momento, mas cada era tem um produto assim."

Fonte: WSJ

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Premiê japonês envia a Parlamento o nome de Kuroda para Banco Central


TÓQUIO - O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, encaminhou nesta quinta-feira ao Parlamento a indicação do atual presidente do Banco de Desenvolvimento Asiático, Haruhiko Kuroda, para a presidência do Banco do Japão (BoJ), conforme antecipado pela imprensa.

O gabinete japonês também indicou o acadêmico Kikuo Iwata  – um ácido crítico de políticas adotadas no passado pelo Banco do Japão  –  e de Hiroshi Nakaso, funcionário do BoJ responsável pela área internacional, para as duas vice-presidências do BC japonês. A expectativa é a de que as nomeações possam ser votadas pelo Parlamento  dentro de duas semanas.

Fonte: Valor

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Câmara realiza evento em suporte a missão empresarial do Japão

Mauro Corbellini, Coordenador da SEIM, apresenta o programa "Paraná Competitivo" 
a um grupo de 50 convidados, incluindo representantes do capital privado japonês

Na tarde desta terça-feira, 26, a Câmara do Comércio e Indústria Brasil Japão do Paraná recebeu em sua sede a primeira missão empresarial coordenada pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) ao Paraná.

O objetivo, segundo Hiroko Tainaka, coordenadora da JICA, é conhecer o estado, prospectando possíveis parceiros e ambientes de negócios favoráveis ao fortalecimento das relações bilaterais Paraná-Japão.

Composta por pequenas e médias empresas de perfis variados (desde produtores de softwares a fabricantes de máquinas de transformação de alimentos), a comitiva japonesa foi recebida por cerca de 35 empresários locais (incluindo Santa Catarina e demais regiões do estado), representantes do governo do Paraná (Emater, Tecpar e SEIM) e prefeituras (Maringá, Londrina e Curitiba), interessados em trocarem experiências e participarem do business matching proposto pela Câmara. 

 Jorge Yamawaki (Coordenador de Relações Internacionais da Prefeitura de Curitiba), Hiroshige Shimbo (presidente da Denso do Brasil) e Atsushi Yoshii (presidente da A. Yoshii Engenharia), discutem o portfólio de produtos da Kakubun Inc. com o presidente da empresa Bunzaburo Suzuki (a esquerda) durante a rodada de negócios promovida pela Câmara

Além da rodada de negócios, os empresários japoneses também puderam familiarizar-se com as potencialidades econômicas do estado e seus incentivos fiscais por meio do programa “Paraná Competitivo” apresentado pelo coordenador da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul (SEIM), Mauro Corbellini, que reforçou a capacidade do estado em atrair novos empreendimentos. “Somente nos últimos dois anos o Paraná atraiu mais de R$20 bilhões em investimentos, o que evidencia, na prática, os esforços do atual governo em transformar o estado num pólo industrial forte e competitivo. Vale lembrar que neste período - e não por acaso - duas empresas japonesas aportaram investimentos na região: Sumitomo Rubber (fabricante de pneus) e Hamaya Corporation (reciclagem de lixo eletrônico). Ou seja: o Paraná está pronto para o Japão".

Também convidado a palestrar, o presidente da Câmara, Yoshiaki Oshiro, reforçou o papel da entidade enquanto meio de ligação com o Japão, relevando a importância do estabelecimento de parceriais com key players como a JICA. "É muito importante relembrá-los que das 19 empresas japonesas instaladas em nosso estado, cerca de 80% contaram com atração e mediação da Câmara. E este nosso papel de fomento vem tornando-se cada vez mais amplo, funcional e objetivo, pois passamos a contar com o apoio da JICA, que por sua vez é coligada aos ministérios da Economia, Indústria e Comércio (METI) e Relações Exteriores do Japão (MOFA). Assim, continuaremos sendo a porta de entrada de novos investimentos japoneses na região (...) agora com muito mais força e credibilidade" concluiu.

Ao fim dos trabalhos, os convidados puderam participar de uma degustação de vinhos, ação gentilmente patrocinada pela Cooperativa Sanjo (empresa associada)

Segundo o diretor da JICA, Manabu Ohara, apesar da agência ter projetos em execução no Paraná, esta é a primeira missão empresarial organizada pela mesma. “No passado, este tipo de missão era coordenada exclusivamente pela Japan External Trade Organization (JETRO). Contudo, recentemente o governo japonês deliberou novas diretrizes, ampliando este atendimento a demais organizações e agências correlacionadas” relatou. 

Ohara ainda enalteceu o apoio da Câmara à missão, certo de que novas parcerias deverão ser projetadas para o futuro. “Agradecemos imensamente o suporte concedido pela entidade junto a JICA e às empresas japonesas que compõem esta missão. Este evento, sem dúvida, é um reflexo deste trabalho de integração comercial, na qual iremos continuar fomentando por meio de ações e parcerias como esta” finalizou.

A missão permanecerá no Paraná até amanhã, quando partirá para São Paulo e em seguida, visitará o Paraguai.

AGRADECIMENTOS

A CCIBJ do Paraná agradece imensamente a todos os envolvidos na coordenação e participação deste evento, em especial: JICA; SEIM; Consulado Geral do Japão em Curitiba; CCM do Brasil; A. Yoshii Engenharia; Noma S.A; Consystem Consultoria Empresarial; Denso do Brasil; Nippon Express do Brasil; Furukawa; Kenji Química; CM Engenharia Elétrica; Daiken; Banco do Brasil; Ishitani Advogados Associados; Tedeschi e Padilha Advogados Associados; Caban Telecom; Emater; Tecpar; Instituto Braspar; Grupo Philus; Elco Engenharia Elétrica; Viaplan Engenharia; Secretaria de Saneamento de Maringá; Prefeitura de Curitiba; Deputado Estadual Teruo Kato; Deputado Federal Luiz Nishimori; e Cooperativa Sanjo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Com foco em BC japonês, dólar renova máximas desde 2010 ante o iene


O dólar bate novas máximas em mais de dois anos e meio ante o iene nesta segunda-feira, com a moeda japonesa sob intensa pressão de venda após notícias de que o premiê do Japão vai nomear um candidato considerado “dovish” (inclinado a estímulos monetários) para comandar o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) e, assim, continuar a cruzada do governo local contra a deflação e o iene valorizado.

A divisa americana também renova as máximas desde julho de 2010 em relação à libra esterlina, com o mercado ainda influenciado pela decisão da Moody’s, na sexta-feira, de retirar da Grã-Bretanha o status de “triple A”.

Na contramão, o euro consegue se recuperar e sobe ante o dólar, puxado por compras de oportunidade depois de ter batido a mínima em seis semanas na sexta-feira.

A valorização da moeda comum europeia, contudo, vai enfrentar uma prova de fogo ao longo do dia, conforme investidores aguardam o término das eleições gerais na Itália, que têm Silvio Berlusconi como um dos candidatos ao cargo de premiê. As urnas serão fechadas às 17h (horário de Brasília), com as primeiras pesquisas de boca de urna sendo divulgadas logo em seguida. Os resultados oficiais serão conhecidos apenas na terça-feira.

Os agentes temem que, uma vez de volta ao poder, Berlusconi promova um retrocesso nas reformas implementadas até então pelo atual premiê Mario Monti, gerando mais instabilidade na terceira maior economia da zona do euro e potencialmente em todo o bloco monetário.

Nesta manhã, o euro subia 0,60%, a US$ 1,3268, aumentando a distância em relação à taxa de US$ 1,3147 batida na sexta-feira. A alta do euro ditava a queda de 0,31% do dólar ante uma cesta de divisas.

Enquanto isso, a libra esterlina caía 0,16%, a US$ 1,5150, depois de ser cotada a US$ 1,5074, menor nível desde 13 de julho de 2010 (US$ 1,4966). O mercado se ressente ainda do rebaixamento em um degrau do rating britânico pela Moody’s na sexta-feira, de “Aaa” para “Aa1”. A agência deu como argumento para o corte na nota de crédito a fraqueza na perspectiva para o crescimento do país e os desafios ao programa de consolidação fiscal do governo.

Outro destaque de baixa é o iene, que recua 0,36%, a 93,69 ienes por dólar, após cair a 94,50, mínima durante a sessão desde 5 de maio de 2010 (94,99 ienes).

O movimento da moeda japonesa é ditado principalmente por notícias de que o premiê do país, Shinzo Abe, vai indicar o atual presidente do Banco de Desenvolvimento da Ásia, Haruhiko Kuroda, como presidente do Banco do Japão. Kuroda é visto como relativamente “dovish” e a expectativa é que, chefiando o BC japonês, ele dê sequência aos esforços de Abe para tirar o país da deflação, algo que pode ocorrer com novas medidas para desvalorizar o iene.

O dólar, no entanto, perde para algumas das principais moedas de risco, depois de mostrar expressiva alta nos últimos dias. O peso mexicano, por exemplo, avançava 0,21%, a 12,6783 por dólar; enquanto a lira turca ganhava 0,27%, cotada a 1,7960 por dólar.

A exceção fica por conta do dólar australiano, que recuava 0,06%, a US$ 1,0314, pressionado por dados mostrando que o setor manufatureiro chinês desacelerou em fevereiro a uma mínima em quatro meses, segundo dados preliminares divulgados pelo HSBC hoje. A China é o principal destino das exportações australianas. Não à toa, números mais fracos no país asiático tendem a pressionar o “aussie”, como a divisa da Austrália é conhecida.

Fonte: Valor

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Japão pode relaxar política econômica para crescer


Nos últimos anos, sempre que o presidente do Banco do Japão, Masaaki Shirakawa, se reunia com outros líderes de bancos centrais do mundo todo, muitas vezes fazia advertências, metodicamente preparadas, sobre os limites da política de dinheiro fácil que eles vinham seguindo.

Shirakawa via o Banco do Japão como um pioneiro. Já havia experimentado seguir programas polêmicos de compra de títulos de dívida e juros de curto prazo a quase zero, muito antes que essas medidas fossem tentadas pelo Federal Reserve (o banco central americano), o Banco Central Europeu ou o Banco da Inglaterra, na esteira da crise financeira de 2008. Sua conclusão foi que esses programas não funcionavam muito bem.

Alguns banqueiros centrais a quem ele alertou, assim como muitos de seus críticos no Japão, concluíram que Shirakawa não estava se esforçando o bastante, e que, em consequência, a economia japonesa estava sofrendo com crescimento lento e crises de deflação.

Agora, o Banco do Japão está prestes a entrar na festa mundial do dinheiro fácil. Com a eleição do primeiro-ministro Shinzo Abe, que vai nomear em breve os sucessores de Shirakawa e de seus dois principais assessores, o Banco do Japão foi empurrado pela classe política que detém o poder no Japão para um novo período de ativismo monetário.

"Quem mais não consegue atingir, há 15 anos, seus próprios objetivos para a inflação?", diz Anil Kashyap, economista da Faculdade de Administração Booth, da Universidade de Chicago, que escreve sobre o Japão. "Não é por acaso que eles estão perdendo sua independência."

O governo japonês teria, segundo duas autoridades, escolhido Haruhiko Kuroda, que hoje dirige o Banco Asiático de Desenvolvimento, como o próximo presidente do Banco do Japão. A notícia não foi confirmada pelo governo até o fechamento desta edição, mas se Kuroda realmente for o escolhido, fica claro que o país rumará para uma nova estratégia econômica. Ele tem defendido publicamente mais medidas de relaxamento monetário pelo Banco do Japão.

Uma mudança na política monetária pode acarretar grandes compras de títulos de dívida de longo prazo do governo japonês, ou mesmo títulos de governos estrangeiros. Nesse processo, o Banco do Japão vai injetar ienes na economia mundial, aumentando a oferta e assim diminuindo a cotação da moeda, ou seja, a taxa de câmbio.

A mudança, amplamente antecipada pelos mercados financeiros, terá um efeito cascata fora do Japão, que continua sendo a terceira maior economia mundial, apesar de todos os seus infortúnios.

Essas injeções de dinheiro por parte do Japão vão pressionar ainda mais outras economias, como Brasil, China e Coreia do Sul, que deverão optar entre permitir a valorização de suas moedas, com risco de prejudicar suas exportações, ou injetar mais dinheiro nas suas economias e, assim, arriscar-se a gerar surtos de inflação. Isso poderia prejudicar as relações com outras economias desenvolvidas, em especial europeias, que têm receio de uma guerra cambial global. A situação poderia atiçar fogo nos mercados financeiros, à medida que os investidores mundiais aproveitam os empréstimos baratos em ienes, convertendo-os para outras moedas e usando os fundos para alimentar um boom de investimento em outros países, além das fronteiras do Japão.

Apesar dos riscos, muitos economistas dizem que a mudança no Japão já está atrasada. Sobretudo, dizem os defensores de Abe, se o Japão passar a seguir a tendência mundial do dinheiro fácil, isso dará um impulso muito necessário ao crescimento econômico. "Esta não é uma guerra cambial - é uma guerra de crescimento", escreveu David Zervos, estrategista de renda fixa da corretora Jefferies & Co., em nota recente.

Os programas de compra de títulos de dívida pelos bancos centrais têm a meta de abaixar o juro de longo prazo, a fim de apoiar os gastos, os investimentos e o crescimento econômico. O Japão já tentou isso, mas não de forma muito agressiva - e os colegas de Shirakawa em outros países dizem que ele diluiu o potencial de impacto da medida ao sugerir que a política monetária, nas circunstâncias do Japão, não era uma ferramenta muito poderosa.

Nos últimos cinco anos, os títulos de dívida e empréstimos em posse do Banco do Japão aumentaram 35%. O Banco Central Europeu, o Fed e o Banco da Inglaterra mais que duplicaram, triplicaram e quintuplicaram seus ativos, respectivamente, nos últimos cinco anos.

Além disso, a tendência do Banco do Japão vem sendo de comprar títulos de prazo mais curto do que os outros bancos centrais, sempre que entrou em um programa de compra de dívida. O prazo médio de vencimento dos títulos do Tesouro americano que o Fed está comprando em seu programa de aquisições é de nove anos. O Japão raramente vai além de três anos. Segundo os economistas, a compra de papéis com vencimento de prazo mais longo tem um efeito maior sobre os mercados.

O Fed e o BCE conseguiram mudar o rumo dos mercados nos últimos meses apenas com palavras duras e promessas de ação futura. Mas Eric Stein, gestor de investimentos globais da corretora Eaton Vance, diz que palavras não bastarão para o banco central japonês, depois de tantos anos sem conseguir cumprir suas metas.

"Eles vão ser testados pelo mercado e terão de fazer mais", diz Stein. No mínimo, isso significa uma exigência por parte dos investidores de que o Banco do Japão aumente suas compras de títulos de dívida de longo prazo do governo japonês, para provar que está decidido a alcançar uma nova meta de inflação de 2%. O banco poderia aumentar suas compras nas bolsas de valores ou em fundos negociados em bolsa (ETFs), duas opções que já explorou.

O grande teste do Banco do Japão pode acontecer nos mercados de títulos estrangeiros. Abe julga que o banco central deve injetar ienes nas compras de títulos de dívida estrangeira para desvalorizar a moeda japonesa e assim aumentar a competitividade das exportações do país.

Diversos líderes mundiais já rejeitaram essa ideia. Uma guerra cambial é um jogo de soma zero, expressão da teoria econômica que significa que para um ganhar, o outro precisa perder na mesma proporção. As exportações que um país ganha estão sendo tomadas de outro país.

Se o novo presidente do banco central japonês decidir provar seu valor para os mercados seguindo por este caminho, diz Hyun Song Shin, professor de Princeton e ex-assessor do governo coreano, "ele vai colocar à prova todas as regras do jogo dos bancos centrais, não expressas, mas comumente subentendidas".

Fonte: Valor 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Aprovação ao governo do Japão passa de 70% pela 1ª vez desde 2009

SÃO PAULO - A taxa de aprovação do governo do primeiro-ministro Shinzo Abe aumentou 6,1 pontos percentuais desde a pesquisa anterior (de janeiro) e atingiu 72,8%. É a primeira vez que um governo japonês consegue mais de 70% de aprovação desde setembro de 2009 - quando começou o mandato do premiê Yukio Hatoyama. A pesquisa e as informações são da aência de notícias Kyodo News.

O levantamento, realizado neste fim de semana, também mostrou que 63% dos consultados são favoráveis a que o Japão negocie um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Os que aprovam o acordo acreditam que a iniciativa vai levar a um crescimento das exportações japonesas e fortalecer o país perante concorrentes como a Coreia do Sul. Os que são contrários temem impactos negativos sobre o setor agrícola e sobre pequenas e médias empresas dentro do Japão.

Fonte: Valor

Japão pode entrar na festa global de crédito barato


Nos últimos anos, sempre que o presidente do Banco do Japão, Masaaki Shirakawa, se reunia com outros líderes de bancos centrais do mundo todo, muitas vezes fazia advertências, metodicamente preparadas, sobre os limites da política de dinheiro fácil que eles vinham seguindo.
Shirakawa via o Banco do Japão como um pioneiro. Já havia experimentado seguir programas polêmicos de compra de títulos de dívida e juros de curto prazo a quase zero, muito antes que essas medidas fossem tentadas pelo Federal Reserve (o banco central americano), o Banco Central Europeu ou o Banco da Inglaterra, na esteira da crise financeira de 2008. Sua conclusão foi que esses programas não funcionavam muito bem.
Bloomberg
Masaaki Shirakawa, que se opunha ao relaxamento monetário, está prestes a deixar a presidência do BC japonês.
Alguns banqueiros centrais a quem ele alertou, assim como muitos de seus críticos no Japão, concluíram que Shirakawa não estava se esforçando o bastante, e que, em consequência, a economia japonesa estava sofrendo com crescimento lento e crises de deflação.
Agora, o Banco do Japão está prestes a entrar na festa mundial do dinheiro fácil. Com a eleição do primeiro-ministro Shinzo Abe, que vai nomear em breve os sucessores de Shirakawa e de seus dois principais assessores, o Banco do Japão foi empurrado pela classe política que detém o poder no Japão para um novo período de ativismo monetário.
 "Quem mais não consegue atingir, há 15 anos, seus próprios objetivos para a inflação?", diz Anil Kashyap, economista da Faculdade de Administração Booth, da Universidade de Chicago, que escreve sobre o Japão. "Não é por acaso que eles estão perdendo sua independência."
O governo japonês teria, segundo duas autoridades, escolhido Haruhiko Kuroda, que hoje dirige o Banco Asiático de Desenvolvimento, como o próximo presidente do Banco do Japão. A notícia não foi confirmada pelo governo até o fechamento desta edição, mas se Kuroda realmente for o escolhido, fica claro que o país rumará para uma nova estratégia econômica. Ele tem defendido publicamente mais medidas de relaxamento monetário pelo Banco do Japão.
Uma mudança na política monetária pode acarretar grandes compras de títulos de dívida de longo prazo do governo japonês, ou mesmo títulos de governos estrangeiros. Nesse processo, o Banco do Japão vai injetar ienes na economia mundial, aumentando a oferta e assim diminuindo a cotação da moeda, ou seja, a taxa de câmbio.
A mudança, amplamente antecipada pelos mercados financeiros, terá um efeito cascata fora do Japão, que continua sendo a terceira maior economia mundial, apesar de todos os seus infortúnios.
Essas injeções de dinheiro por parte do Japão vão pressionar ainda mais outras economias, como Brasil, China e Coreia do Sul, que deverão optar entre permitir a valorização de suas moedas, com risco de prejudicar suas exportações, ou injetar mais dinheiro nas suas economias e, assim, arriscar-se a gerar surtos de inflação. Isso poderia prejudicar as relações com outras economias desenvolvidas, em especial europeias, que têm receio de uma guerra cambial global. A situação poderia atiçar fogo nos mercados financeiros, à medida que os investidores mundiais aproveitam os empréstimos baratos em ienes, convertendo-os para outras moedas e usando os fundos para alimentar um boom de investimento em outros países, além das fronteiras do Japão.
Apesar dos riscos, muitos economistas dizem que a mudança no Japão já está atrasada. Sobretudo, dizem os defensores de Abe, se o Japão passar a seguir a tendência mundial do dinheiro fácil, isso dará um impulso muito necessário ao crescimento econômico. "Esta não é uma guerra cambial — é uma guerra de crescimento", escreveu David Zervos, estrategista de renda fixa da corretora Jefferies & Co., em nota recente.
 Os programas de compra de títulos de dívida pelos bancos centrais têm a meta de abaixar o juro de longo prazo, a fim de apoiar os gastos, os investimentos e o crescimento econômico. O Japão já tentou isso, mas não de forma muito agressiva — e os colegas de Shirakawa em outros países dizem que ele diluiu o potencial de impacto da medida ao sugerir que a política monetária, nas circunstâncias do Japão, não era uma ferramenta muito poderosa.
 Nos últimos cinco anos, os títulos de dívida e empréstimos em posse do Banco do Japão aumentaram 35%. O Banco Central Europeu, o Fed e o Banco da Inglaterra mais que duplicaram, triplicaram e quintuplicaram seus ativos, respectivamente, nos últimos cinco anos.
Além disso, a tendência do Banco do Japão vem sendo de comprar títulos de prazo mais curto do que os outros bancos centrais, sempre que entrou em um programa de compra de dívida. O prazo médio de vencimento dos títulos do Tesouro americano que o Fed está comprando em seu programa de aquisições é de nove anos. O Japão raramente vai além de três anos. Segundo os economistas, a compra de papéis com vencimento de prazo mais longo tem um efeito maior sobre os mercados.
Fonte: WSJ