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segunda-feira, 11 de março de 2013

Japão rejeita proposta chinesa de realizar levantamento sobre ilhas Senkaku

O secretário-chefe do gabinete japonês, Yoshihide Suga, afirmou que é totalmente inaceitável que a China conduza um levantamento sobre as ilhas Senkaku. As ilhas em questão se localizam no Mar da China Oriental e são controladas pelo Japão, mas reivindicadas pela China e por Taiwan.

Durante coletiva de imprensa realizada na manhã de quarta-feira, Suga declarou que as Senkaku são parte inerente do território japonês de acordo com a história e o direito internacional.

Yoshihide Suga se referia a um comentário feito por Li Pengde, vice-chefe da Administração Nacional de Levantamento, Mapeamento e Geoinformações do governo chinês durante entrevista à Rádio Nacional da China na terça-feira.

Perguntado se as autoridades japonesas iriam deter pesquisadores chineses que desembarcassem nas ilhas Senkaku, Suga disse que não podia responder sobre questões hipotéticas.

Porém, ele frisou que as ilhas são parte do território japonês, e que o governo vai agir de maneira apropriada.

Fonte: NHK

sábado, 9 de março de 2013

Japão também está ao alcance

O Japão, a menos de 1 mil quilômetros de distância por água é um alvo freqüente da retórica norte-coreana, também poderia ser atingido por mísseis de curto e médio alcances da Coreia do Norte. Em números, o Exército de Pyongyang parece formidável, muito maior do que o do Sul, tanto em pessoal quanto em equipamento. O contingente de 1,2 milhão de soldados do Norte é quase o dobro dos 640 mil militares sul-coreanos, que são apoiados por 26 mil soldados americanos instalados no país. Contudo, as capacidades de Pyongyang não são o que os números sugerem. Em razão da falta de recursos, a empobrecida Coreia do Norte deixou de investir no Exército convencional para uma eventual batalha e tem se concentrado no desenvolvimento de armas nucleares e mísseis balísticos.

Fonte: REUTERS

quinta-feira, 7 de março de 2013

Chapa que irá concorrer nas eleições para o triênio 2013-2016 é apresentada em reunião de diretoria

Na noite desta quinta-feira, 7, o presidente da Câmara do Comércio e Indústria Brasil Japão do Paraná, Yoshiaki Oshiro, apresentou em reunião de diretoria a chapa "Consolidação e Progresso" que deverá concorrer ao executivo do triênio 2013-2016.

Em seu discurso, Oshiro confirmou que a entidade seguirá trabalhando em consonância do poder público local, terceiro setor e empresas privadas, objetivando o gradativo desenvolvimento econômico do Paraná através da atração e mediação de novos investimentos japoneses na região.

Visando a continuidade dos trabalhos de reestruturação iniciados há cerca de 4 anos, a nova chapa apresentou poucas mudanças, todavia encontra-se mais enxuta e objetiva. “O trabalho realizado nos últimos quatro anos cadenciou a Câmara Japonesa de Comércio do Paraná a enfrentar novos desafios, porém sem deixarmos de lado as conquistas obtidas no passado. Vamos trabalhar para nos mantermos nesta rota de crescimento, polarizando relacionamentos, inovando e transformando as diversas realidades deste complexo e singular relacionamento bilateral. Para tanto, buscamos, através da composição desta nova chapa, unir diretorias e simplificar o organograma institucional. Desta forma aliamos qualidade com eficácia, melhorando a agilidade dos serviços prestados” disse o presidente Oshiro.

Contando com a aprovação unânime dos diretores presentes, a chapa fora protocolada nos anais da entidade, publicada na seqüência no presente blog.

Segue abaixo os nomes da chapa que irá concorrer nas eleições da última quinzena de março:

Diretoria Executiva

- Presidente:
Yoshiaki Oshiro (Chácara Aizen & Toho Cosméticos)

- Vice-presidente:
Hirofumi Nakagiri (CCM do Brasil)

- Vice-presidente para Assuntos Institucionais:
Nilson Nishimura (Elco Engenharia Elétrica)

- Vice-presidente para Assuntos Governamentais:
Gilberto Hara (Viaplan Engenharia)

- Vice-presidente coordenador (Smart Community):
Atsushi Yoshii (A. Yoshii Engenharia)

- Diretor Administrativo: Mário Azuma
- Suplente: Teichum Hiramatsu

- Diretor Financeiro: Heberthy Daijó
- Suplente: Antonio Cabanilhas

Diretorias Regionais

- Diretor regional Oeste (Atendimento em Cascavel e região): Takao Koike
- Diretor regional Norte (Atendimento em Londrina e região): George Hiraiwa
- Diretor regional Noroeste (Atendimento em Maringá e região): Shiniti Ueta
- Diretor regional Paraguai (Atendimento no Paraguai e região): Marcos Shida

Diretorias Setoriais

- Diretor para Assuntos Comerciais: Luiz Adati
- Diretor para Assuntos Industriais: Hélio Uchida
- Diretor para Assuntos de Meio Ambiente: Antonio Cabanilhas
- Diretor de Projetos: Fujio Takamura
- Diretor de Planejamento Urbano: Carlos Saborido
- Diretor de Relações Públicas (comunidade Nikkei): Teichum Hiramatsu
- Diretor de Relações Internacionais: Jorge Yamawaki
- Diretor de Pesquisas de Energia Alternativa: Jorge Watanabe
- Câmara Junior: Kenny Tsushima

Divisão Jurídica

- Diretor Área Cível: Robson Ochiai Padilha
- Diretor Área Trabalhista: Emerson Fukushima
- Diretor de Assuntos Tributários (Federais): Antonio Myasawa
- Diretor de Assuntos Tributários (Estaduais): Fernando Ishikawa

Representante no Japão

- Satoshi Tsuda (FMO. CO., LTD.)

Conselho de Administração

- Presidente: Kiyoshi Ishitani
- Vice-presidente: Rui Hara
- Vice-presidente: Mário Honda
- Vice-presidente: Kenji Wojitani
- Vice-presidente: Keiti Suzuki

Conselho Fiscal

- Membro efetivo: Fujio Takamura
- Membro efetivo: Edson Naoki Kitagawa
- Suplente: Sussumu Higachi
- Suplente: Kenny Tsushima

quarta-feira, 6 de março de 2013

A arriscada tarefa de relançar o Japão

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, continua a surpreender. Dificilmente poderia escolher equipe mais radical do que essa que indicou para comandar o Banco do Japão, autoridade monetária do país. Haruhiko Kuroda, crítico da passividade da instituição no passado, agora é o encarregado da política monetária.

Não se enganem. Kuroda não quer apenas uma inflação anual de 2%. Também considera que atingi-la está dentro do poder de alcance do Banco Central. Ele também pode contar com o apoio certo do governo e de Kikuo Iwata e Hiroshi Nakaso, novos vice-governadores da autoridade monetária. O Banco do Japão pode até resmungar contrariado. Mas uma mudança de política monetária parece ser algo certo. A questão é: será que vai funcionar? Na verdade, o que será que significa "funcionar"?

Podemos começar por ressaltar a peculiar posição do Japão. As expectativas de deflação já estão bem arraigadas nos mercados de bônus, quando não nas pesquisas, com o rendimento dos papéis de dez anos atualmente em 66 pontos-base. As taxas de juros reais permanecem positivas, mesmo na ponta mais curta. A deflação também vem se mostrando bastante arraigada. Por fim, o endividamento passou do setor privado para o público: de acordo com a firma de assessoria econômica Smithers & Co., a dívida líquida das empresas não financeiras caiu de 150% do patrimônio em 1995 para 30%. A dívida líquida governamental, por outro lado, saltou de 29% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1996 para 135% no fim de 2012.

O Japão tenta fazer voar uma pipa monetária que há muito não sai do chão. Alguns vão argumentar que a independência do banco central foi violada. A resposta a isso é que o Banco do Japão não conseguiu cumprir seu papel de garantir a estabilidade dos preços.

Esses fatos têm implicações profundas. Primeira, acabar com a deflação vai ser muito mais difícil do que teria sido no fim dos anos 90. Segunda, ajudaria muito se uma inflação mais alta também tornasse negativas as taxas de juros reais, o que encorajaria os gastos das pessoas. Terceira, taxas de juros reais negativas também redistribuiriam a riqueza, dos credores do Estado para os futuros contribuintes.

Essas taxas reais negativas podem ser atingidas limitando os juros ou fazendo com que a inflação fique acima da esperada. Não está claro, de fato, se as autoridades japonesas querem criar taxas de juros reais muito abaixo de zero. Mas deveriam querer, mesmo se isso também trouxesse o risco de uma reação política adversa.

Como isso deveria ser feito e com que transparência? O Banco do Japão poderia reiterar que almeja uma inflação de 2%, mas seguir políticas que a levassem a um patamar ainda maior. Isso seria um engôdo arriscado.

Seja como for, a política poderia ser reforçada por uma mudança temporária com a adoção de uma meta de preços ou de níveis nominais do PIB. O argumento para isso é que águas passadas não deveriam ser, neste caso extremo, águas passadas. O atual nível de preço é 30% menor do que seria se a inflação anual desde 1997 tivesse sido de 2%.

Da mesma forma, o PIB nominal está 40% abaixo do que estaria se o crescimento anual tivesse sido de 3%. Se o Banco do Japão quisesse atingir o PIB nominal decorrente de uma expansão anual de 3% desde 1997, estaria se comprometendo a um crescimento anual próximo a 9% nos próximos dez anos.

Não é apenas questão de novas metas. Os instrumentos de política também são importantes. Os novos chefes do Banco do Japão precisam considerar o uso de um menu mais amplo de compras de ativos, incluindo a monetização dos déficits do governo. Richard Werner, da Southampton University, há muito defende que a monetização fiscal seria mais positiva se viesse da captação direta pelo governo de dinheiro dos bancos. No limite, o Japão poderia valer-se da estratégia de jogar "dinheiro do helicóptero", como discutido em minha coluna de 13 de fevereiro. Se o Banco do Japão usar o dinheiro fiduciário que não quer tirar da economia, também terá de impor exigências explícitas de reservas aos bancos comerciais.

O ponto de vista tradicional no BoJ vinha sendo de que a política monetária não pode elevar a inflação. Isso mostra uma falta de imaginação surpreendente. Em princípio, o BoJ pode usar seu dinheiro fiduciário para comprar qualquer coisa no mundo, a qualquer preço que quiser. Isso certamente reduziria o poder de compra do iene. O risco, em particular, é que seria como arremessar um tijolo com um elástico: pouco movimento no início e muito depois. Daí a importância da meta: a mudança de política precisa ser tanto plausível, como poder ser refreada.

É possível vislumbrar dois grandes perigos, claramente interligados. Primeiro, a nova abordagem poderia ser vista como uma tentativa deliberada de seguir políticas de "empobrecer o vizinho" e, como resultado, provocar retaliações perigosas. Segundo, poderia estimular a fuga para longe do iene e, portanto, o colapso do câmbio e a disparada da inflação. O primeiro é um perigo mais imediato; o segundo, mais remoto. Os dois significam que a mudança das políticas precisa ser ancorada na certeza de uma volta à normalidade que seja plausível.

Por fim, então, será que uma mudança radical da política monetária é suficiente? A resposta é "não". No curto prazo, o governo pode, e deveria, monetizar seus déficits. No longo prazo, no entanto, vai precisar reequilibrar a economia, afastando-a da dependência em relação à demanda criada pelo governo.

Como argumentei em 6 de fevereiro, o governo precisa em algum momento reduzir seu déficit fiscal estrutural. Para isso, o setor privado japonês precisa reduzir a contraparte, que são seus superávits financeiros estruturais. Portanto, no longo prazo, o excesso de lucros retidos, em relação aos investimentos do setor empresarial, precisa encolher. Um aumento permanente do superávit em conta corrente, que é uma alternativa, não deveria ser adotado agora pela terceira maior economia do mundo: desestabilizaria uma economia mundial que sofre com o excesso de poupança.

O Japão tenta fazer voar uma pipa monetária que há muito não sai do chão. Alguns vão argumentar que a independência do banco central foi violada. A resposta a isso é que o Banco do Japão não conseguiu cumprir seu papel de garantir a estabilidade dos preços. A questão, em vez disso, é se a nova equipe vai conseguir elevar a inflação e reduzir as taxas de juros reais sem desestabilizar a economia doméstica ou a mundial. Talvez, trabalhar em uma meta de inflação de 2% seja suficiente para garantir o necessário. Suspeito, entretanto, que pode ser necessária uma meta mais radical para o nível dos preços ou para o PIB nominal, pelo menos, por algum tempo. A nova equipe no Banco do Japão terá de fugir do risco de não fazer o suficiente, mesmo se para isso correr o perigo de fazer mais do que o suficiente. Vai precisar de muito poder de discernimento e certa dose de sorte. O mundo deveria desejar-lhe o melhor. 

(Tradução de Sabino Ahumada)

Martin Wolf é editor e principal comentarista econômico do FT.

Fonte: Valor

terça-feira, 5 de março de 2013

Secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul recebe o presidente da Câmara


O secretário de estado da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul (SEIM), Ricardo Barros, recebeu na tarde desta terça-feira, 5, o presidente da Câmara do Comércio e Indústria Brasil Japão do Paraná Yoshiaki Oshiro.

Acompanhado pelo vice-presidente, Hirofumi Nakagiri, Oshiro reportou ao secretário Barros os mais recentes trabalhos desenvolvidos pela Câmara no que diz respeito à atração de novos investimentos japoneses à região.

Oshiro reforçou que o governo japonês, sobretudo através de suas agências e órgãos especializados como JICA e JETRO, vem trabalhando em consonância da entidade, fomentando novas oportunidades comerciais entre ambos os países. 

Ainda segundo Oshiro, por meio desta mediação, somente no mês de fevereiro cerca de 13 empresas japonesas de pequeno e médio porte visitaram o estado, o que evidencia o real e clarividente interesse do Japão pelo Paraná. 

Ouvindo atentamente, Barros reforçou a importância das atividades desempenhadas pela Câmara, colocando a estrutura da secretaria a disposição da entidade. “Desde que assumimos a secretaria temos buscado um estreitamento das relações institucionais vigentes com a Câmara Japonesa de Comércio do Paraná. Este produtivo canal de diálogo já nos trouxe importantes investimentos ao estado, desenvolvendo diretamente nossa economia. Vamos continuar atuando em conjunto, atraindo cada vez mais novas empresas de origem japonesa à região” concluiu.

Visitas à Câmara: Ashcroft Willy

ASHCROFT – MANÔMETROS

O diretor da Câmara Japonesa de Comércio do Paraná, Fujio Takamura, recebeu na manhã desta segunda-feira, 05, os diretores Paulo Roberto Costa e Elio Fukushima da Ashcroft Willy, empresa do grupo Ashcroft Nagano Keiki Holdings Inc.

Fundada em 1850 (ano da invenção do manômetro), a multinacional nipo-americana é especializada na fabricação de manômetros, termômetros, termostatos, transmissores de pressão e temperatura, entre outros, atuando no Brasil desde 1975 com a aquisição da empresa Manômetros Willy. Além do Brasil, a empresa possui fábricas na Alemanha, China, Estados Unidos, Japão, México e Singapura, além de joint ventures na Arábia Saudita, Índia e Venezuela, constituindo-se como líder mundial no segmento de instrumentos de medição.

Contando com duas fábricas em São Caetano do Sul, estado de São Paulo, a empresa emprega hoje 350 funcionários em seus mais de 10 mil m², atendendo não só o Brasil bem como demais países da América do Sul, através do seu portfólio de produtos, certificados pelo INMETRO, ISSO 9001, ISSO 14001 e ISSO 17025.

De acordo com Takamura, a visita de cortesia faz parte de um roteiro que teve início no Japão. “Em fevereiro deste ano, a CCIBJ do Paraná esteve na província de Nagano realizando visitas institucionais junto a algumas empresas da região, onde tivemos a oportunidade de conhecer os companheiros da Nagano Keiki. Hoje estamos dando seqüência a este diálogo, fortalecendo os laços comerciais bilaterais com a empresa”.

Para mais, acesse:
http://www.ashcroft.com.br

sexta-feira, 1 de março de 2013

BC japonês terá titular em sintonia com o governo


Haruhiko Kuroda foi anunciado como novo presidente do Banco do Japão (BoJ), confirmando as expectativas de escolha de um profissional altamente alinhado às premissas de condução da política econômica tornadas públicas e já parcialmente implementadas pelo primeiro ministro, Shinzo Abe.

Kuroda é atualmente presidente do Banco de Desenvolvimento Asiático e substituirá Masaaki Shirakawa a partir de 20 de março, juntamente com dois novos membros do BoJ. O primeiro é Kikuo Iwata, professor de economia na Universidade Gakushuin em Tóquio e conhecido por suas críticas ao BoJ; o segundo é Hiroshi Nakaso, atualmente responsável por assuntos internacionais do banco central japonês e sempre lembrado por seus comentários em relação à sobrevalorização do iene.

Antes de ser oficialmente nomeado para o cargo, Kuroda precisa ser aprovado pelo parlamento. Historicamente, esse processo é demorado e os candidatos podem ser rejeitados. Mas desta vez a aprovação não deverá enfrentar obstáculos, na opinião do UBS. Para o banco, é consenso entre os políticos japoneses que o país precisa de incentivos monetários radicais neste momento, algo amplamente defendido por Kuroda.

A política instituída pelo primeiro ministro Shinzo Abe desde o fim do ano passado tornou-se conhecida por "Abenomics", agressivamente focada no processo de reflação desejado pelo país (o BoJ tem agora meta formal de inflação de 2%) e por estímulos fiscais direcionados à retomada do crescimento. Há similaridades nas ações de Abe com as políticas implementadas por Korekiyo Takahashi, ministro das Finanças na década de 30. Talvez tenha vindo daí a inspiração.

Em estudo publicado nesta semana, o Nomura comparou a política econômica conduzida por Abe àquela feita por Takahashi, encontrando similaridades no que tange a política monetária acomodatícia e a política fiscal expansionista no combate à deflação e ao baixo crescimento econômico do Japão.

O resultado da política na década de 30 foi benéfico para a economia, o que, por analogia, aponta a possibilidade de sucesso da estratégia definida por Abe, segundo opinião do Nomura. Quando a política de Takahashi foi introduzida, o governo japonês abandonou os esforços para voltar ao padrão ouro e efetivamente passou para um sistema de controle cambial.

Somada às expectativas de afrouxamento monetário e inflação, o iene depreciou-se 40% entre 1931 e 1933; as exportações começaram a subir em 1932 e atingiram seu primeiro superávit desde 1918 três anos depois. O produto da economia nos primeiros estágios da recuperação foi puxado pelos gastos do governo, que depois redundaram no crescimento das exportações e do investimento privado. O PNB (produto nacional bruto), que crescia em torno de 1% em 1932, superou 10% em 1934.

O governo de Abe sabidamente sustenta-se em três pilares: política monetária agressiva; política fiscal flexível; e estratégia de crescimento para estimular o investimento privado. Comparativamente, desde que o "Abenomics" entrou em vigor (em outubro de 2012), o iene depreciou-se quase 20% em relação ao dólar. Os economistas do Nomura acreditam que na atual política as exportações podem sustentar a recuperação econômica.

Outra semelhança histórica é a política de expansão fiscal. Tanto Takahashi como Abe lançaram mão de planos emergenciais de gastos públicos, que o Nomura vê como capazes de criar uma demanda efetiva. Abe propôs um orçamento complementar de 13,1 trilhões de ienes (2,7% do PIB nominal) que foi aprovado em 14 de fevereiro, prevendo um crescimento de 15,6% nos gastos do governo em 2013.

Uma ressalva é que, considerando a experiência de Takahashi, mesmo após o fim da deflação os salários podem demorar a reagir, o que derrubaria o poder de compra das famílias. Por conta disso, a estratégia de crescimento de Abe, que deve ser anunciada oficialmente em junho, deve conter ações para impulsionar os salários, na opinião do Nomura.

Há, entretanto, três diferenças importantes entre os dois planos: o nível da dívida como proporção do PIB; o funding para os gastos fiscais; e o nível da taxa de juros. A dívida em 2012 é projetada em 226% do PIB e na década de 30 correspondia a apenas 56,3% do PIB. Nesse sentido, a política fiscal não pode ser tão expansionista como no passado. Quanto ao funding, a política de Takahashi era baseada em emissões de títulos soberanos (JGB) pelo BoJ, o que hoje não é mais permitido. Ademais, a taxa de juros situava-se em 6,57% em 1933 (e foi reduzida em 292 pontos base durante o plano). Hoje é virtualmente zero.

As expectativas positivas com o novo governo de Abe levaram o índice acionário Nikkei a subir de 8,8 mil pontos em outubro para acima de 11 mil pontos em fevereiro, sendo que no mesmo período o iene enfraqueceu de 78 ienes por dólar para 93 ienes por dólar.

Uma ressalva feita por Richard Koo, chefe do Instituto de Pesquisa do Nomura, em artigo pessoal, é que a recente desvalorização do iene e a alta da bolsa foi causada primeiramente pelos investidores externos, através dos "hedge funds" nos EUA e no Reino Unido. Portanto, é cedo para dizer que essa tendência de depreciação perdurará e se as políticas, afinal, serão tão eficientes como na década de 30.

Fonte: Valor