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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Tepco descarta responsabilidade de conselho em acidente em Fukushima

SÃO PAULO - A Tokyo Electric Power Co. (Tepco) descartou, em documento encaminhado hoje a seus acionistas, que membros de seu conselho tenham qualquer responsabilidade em relação ao acidente nuclear na usina de Fukushima, desencadeado após o terremoto seguido de tsunami que abalou o Japão em março do ano passado.

De acordo com reportagem do jornal Kyodo News, a negativa vem na esteira de um pedido de acionistas da Tepco para que a companhia movesse uma ação contra antigos e atuais membros do conselho.

Apesar dessa posição, acionistas da Tepco deverão encaminhar uma ação a uma corte distrital de Tóquio, possivelmente no fim do mês, solicitando que os membros do conselho paguem um total de 5,5 trilhões de ienes (US$ 71,7 bilhões) por perdas relativas ao desastre.

Fonte: Stella Fontes | Valor

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Japão além das meras aparências

No conto "Em Português Brasileiro", Kenzaburo Oe relata a história de um povoado no Japão cujos habitantes desapareceram misteriosamente. Um guarda florestal tenta descobrir o paradeiro, enquanto mostra fascínio pelo português falado no Brasil, língua que está estudando. "Nem tudo no mundo é explicável", diz o personagem. "A cidade do Rio de Janeiro parece que também não é cartesiana." Para nós, brasileiros, a frase não deixa de fornecer certa iluminação.

Olhar as coisas sob uma perspectiva diferente é essencial para um melhor entendimento do mundo. No que se refere a ponto de vista, o japonês Kenzaburo Oe, de 76 anos, tem uma condição privilegiada. O fato de ter vivido a infância e adolescência em uma vila no meio da floresta, isolada do restante do Japão (país que por sua vez é isolado fisicamente do continente asiático), deixou marcas indeléveis no escritor. Mitos e lendas locais, transmitidas oralmente através dos séculos, são constantes em sua obra. Há sempre um elemento mágico, fantástico, que retoma as origens do próprio país.


Elementos tipicamente japoneses povoam o seu trabalho, como mostra a compilação "14 Contos de Kenzaburo Oe", que reúne textos escritos entre 1957 e 1990. Oe aborda questões que muitos japoneses gostariam de esconder embaixo do tapete. O ressurgimento do militarismo, honra, loucura, o não falar diretamente (comumente visto como um traço de hipocrisia por observadores ocidentais), consumismo, desvios sexuais - "O Homem Sexual", de 1963, sobre tarados de metrô, lembra os retratos da compulsão celebrizados por Junichiro Tanizaki (1886-1965) - são temas que retratam um Japão contemporâneo esgotado.

Para ele, a literatura não basta. Há anos, o escritor também é um ativo pacifista, uma figura pública polêmica. No conto "Seventeen" (1961), inspirado no assassinato de um líder do Partido Socialista por um estudante, Oe retrata a conversão de um adolescente onanista a fanático de extrema-direita. Conseguiu desagradar aos dois lados da questão, mas chegou a receber elogios do escritor Yukio Mishima (1925-1970), um militarista fanático.

A carreira de Oe, no entanto, pode ser dividida em duas fases, separadas pelo nascimento do primeiro filho, Hikari, em 1963. Nos primeiros anos, são mais fortes as influências da literatura francesa, em especial o existencialismo de Sartre.

Aos 28 anos, Oe já era um escritor famoso no Japão. Alguns anos antes, vencera o Prêmio Akutagawa, um dos mais prestigiosos do país. Mas, quando soube que Hikari nascera com grave problema cerebral, que o tornou deficiente mental para o resto da vida, Oe entrou em crise pessoal que acabaria criando sua voz literária e o levaria ao Prêmio Nobel de Literatura em 1994. Esse momento tenso ganha uma versão romanceada em "Aghwii, o Monstro Celeste" (1964). Oe viu-se tentado a dar cabo da vida do filho, por sugestão dos médicos. Na sociedade japonesa, ter um deficiente mental na família é um tabu. O escritor, ao contrário, resolveu assumir o filho e não escondê-lo. Hikari tornou-se personagem constante nos textos de Oe ("Viver em Paz" e "A Dor de uma História", ambos de 1990, retratam o cotidiano da família).

Na obra de Kenzaburo Oe, há sempre um estranhamento perante o ser humano, como se um observador alienígena estivesse nos vendo e tecendo comentários espantados. Ele fala sobre o Japão, mas, antes de mais nada, sobre a condição humana.

Fonte: Valor

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Japão: Noda troca ministros para aprovar novo imposto

Japão: Noda troca ministros para aprovar novo imposto

O primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, escolheu hoje um veterano falcão do partido governista para ser seu vice e removeu dois ministros, que cometeram deslizes, de seus cargos como parte de uma minirreforma do gabinete.

Na tentativa de prosseguir com o seu impopular plano de dobrar os impostos sobre vendas até 2015, Noda nomeou Katsuya Okada, ex-presidente do aliado Partido Democrático, como vice-primeiro-ministro. Okada também supervisionará a reforma fiscal e administrativa.

"Acredito que a nomeação de Okada foi feita com um olho no grande tema do bem-estar social e da reforma tributária", disse o secretário-chefe do gabinete de governo, Osamu Fujimura, ao anunciar as mudanças.

Okada, que anteriormente já ocupou postos chaves na política governista, incluindo a secretaria-geral do Partido Democrático e o Ministério das Relações Exteriores, é frequentemente visto como um futuro premiê. Defensor do aumento do imposto sobre vendas, ele também é visto como uma tentativa de Noda de mostrar seu compromisso com a reforma fiscal.

Noda também substituiu o ministro da Defesa, Yasuo Ichikawa, e o chefe da Segurança Nacional, Kenji Yamaoka, numa tentativa de apaziguar os partidos da oposição, que votaram a favor da censura aos dois ministros depois que eles fizeram declarações desastrosas. Outros ministros-chave, incluindo o das Finanças, Azumi Jun, e o das Relações Exteriores, Koichiro Gemba, foram mantidos.

Fonte: Dow Jones

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Índice da OCDE aponta melhora da atividade nos EUA, Rússia e Japão

SÃO PAULO – As economias dos Estados Unidos, Japão e Rússia estão dando sinais de aumento de impulso e continuam acima de suas tendências de longo prazo, apontou o índice de indicadores antecedentes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta quinta-feira.

Enquanto isso, o indicador da China, que não integra o bloco, deteriorou-se, sinalizando uma desaceleração da atividade econômica, e a zona do euro segue fraca.

O índice geral recuou de 100,2 em outubro para 100,1 em novembro. Para a China, o índice passou de 100,1 para 100, e agora mostra desaceleração do crescimento diante da tendência de longo prazo. O do Brasil recuou de 94,0 para 93,3, o da zona do euro passou de 98,7 em outubro para 98,3 em novembro e o dos EUA foi de 101,0 para 101,2.

O índice foi elaborado para dar sinais antecipados de pontos de inflexão entre expansão e desaceleração e toma como base dados que historicamente sinalizam mudanças na atividade econômica. O nível 100 representa a tendência de longo prazo para o crescimento.

Fonte: Marcílio Souza | Valor

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Missão do Paraná irá participar de workshop sobre eficiência energética no Japão

Na foto: Ramiro Wahrhaftig (SEPL), Hitoshi Nakamura (ICCBJ), Fujio Takamura (CCIBJ do Paraná), Masaki Kimura (ECCJ), Hitoshi Maeshima (ECCJ), Yoshiaki Oshiro (CCIBJ do Paraná) e Heberthy Daijó (CCIBJ do Paraná)

Entre os dias 20 e 22 de dezembro, a CCIBJ do Paraná recebeu a visita de Masaki Kimura, e Hitoshi Maeshima, representantes do Centro de Conservação Energética do Japão (ECCJ).

Coligado ao Ministério da Economia, Indústria e Comércio do governo japonês, o ECCJ irá realizar em janeiro do ano que vem o 1° Workshop Brasil-Japão tendo como tema "Eficiência Energética, Conservação, e Edificações Sustentáveis". É a primeira vez que o Brasil (através dos estados do Rio de Janeiro e Paraná) é convidado a participar deste tipo de evento.

Com mais de 30 anos de existência, o centro é o único do Japão a lidar com assuntos co-relacionados a eficiência energética, tema extremamente em voga devido ao tsunami/terremoto que atingiu o país em março deste ano, invalidando a usina de Fukushima, e trazendo a tona discussões voltadas a confiabilidade da energia nuclear e a busca por novas matrizes energéticas.

De acordo com Maeshima, o Japão vê neste tema uma boa oportunidade para trocar experiências e aprofundar as relações comerciais Brasil-Japão tendo como foco o desenvolvimento sustentável. "Sabemos que o Brasil passa por um singular momento econômico. E desfruta de uma boa posição no cenário internacional. Por isso, o ECCJ acredita que o momento para a realização de um workshop entre ambos os país não poderia ser melhor, principalmente tendo como tema a questão da eficiência energética e desenvolvimento sustentável, o que poderá trazer para ambos os países boas oportunidades em termos de novos negócios e intercâmbio de tecnologia".

A CCIBJ do Paraná foi a entidade escolhida pelo ECCJ para dar suporte e apoio ao evento no estado. Para Maeshima, a câmara japonesa de comércio do Paraná aceitou o desafio de ajudar a desenvolver um evento internacional em apenas 1 mês. "Sabíamos que propor a realização de um workshop conjunto com o Brasil não seria fácil devido ao curto prazo de inscrição - estamos apenas há 1 mês da sua realização. Por isso ficamos felizes com o trabalho desenvolvido pela câmara japonesa do Paraná ao acreditar no projeto e conseguir polarizar tantos participantes em tão pouco tempo, agendando e nos acompanhando numa série de importantes reuniões em Curitiba. Somos gratos ao trabalho de cooperação desenvolvido pela entidade".

Segundo o diretor da câmara, Heberthy Daijó, o fato da ECCJ ter escolhido a CCIBJ do Paraná para estar realizando este trabalho conjunto é apenas um gesto de reconhecimento das atividades realizadas pela atual gestão nos últimos anos. "Desde 2009 a câmara vem sofrendo uma profunda reformulação. Passamos por momentos difíceis no governo anterior (do estado), notoriamente avesso a investimentos estrangeiros. Todavia, com muito foco e objetividade, a entidade demonstrou que pode contribuir para a internacionalização do Paraná no Japão, trazendo assim novas empresas, investimentos e singulares oportunidades como esta, onde o intercâmbio de informações na área de eficiência energética poderá gerar inúmeros bons resultados para ambas as partes" finalizou.

A comitiva, que contará com representantes da Copel, Itaipu, Governo do Estado, Comec, Lactec, Cavo, Elco Engenharia Elétrica, Wiecheteck Engenharia, Grupo Hubner, CCIBJ do Paraná, FIEP (através do seu presidente, Edson Campagnolo), além de representantes da FIRJAN e Eletrobras, irá partir para o Japão no dia 28 de janeiro de 2012.

No Japão, o roteiro de 1 semana prevê além da realização do Workshop, visitas técnicas a empresas ligadas ao tema, e a participação em uma das maiores feiras de eficiência energética do Japão, a ENEX 2012, que na edição do ano passado contou com a visita de cerca de 10 mil pessoas/dia.

Para mais acesse:

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Indústria japonesa enfrenta ameaça de declínio irreversível

Sob pressão das políticas domésticas e dos concorrentes estrangeiros, o setor por trás do milagre japonês do pós-guerra está transferindo suas atividades para outros países, aumentando as preocupações com a capacidade da nação de vencer uma estagnação que já dura duas décadas.

Em junho, Akio Toyoda, presidente da Toyota Motor do Japão, fez uma dura avaliação ao ativo econômico mais estimado de seu país: sua competitividade enquanto potência econômica. “Se olharmos a situação de uma maneira lógica”, disse ao anunciar uma reorganização das operações domésticas da Toyota, que estavam no vermelho como resultado da valorização do iene, “veremos que não faz sentido produzir no Japão”.

Os sinais de alerta estão soando nos escritórios e fábricas do Japão corporativo. O câmbio, os cortes no fornecimento de energia provocados pelo tsunami de março, políticas fiscais e comerciais desfavoráveis e a ascensão implacável da China e da Coreia do Sul estão pressionando os outrora incontestados fabricantes de automóveis e produtos eletrônicos nipônicos a abandonar o país por paragens onde os custos são menores.

Fonte: Jonathan Soble | Financial Times

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Crítica inesperada dos EUA cria obstáculo para o Japão no câmbio

TÓQUIO - O governo dos Estados Unidos se recusou novamente a rotular a China como manipuladora do câmbio, mas criticou os esforços do Japão para limitar a valorização do iene.

Em seu relatório semestral ao Congresso divulgado ontem, o Tesouro americano fez fortes críticas às recentes intervenções do Japão na moeda. Segundo o Tesouro, em vez de reagir à apreciação do iene com intervenções na taxa de câmbio, o governo deveria tomar medidas "profundas" para aumentar o dinamismo da economia doméstica, a competitividade das empresas japoneses e o crescimento potencial.

Os EUA, junto com outros países, apoiou o Japão em uma intervenção no câmbio logo após o terremoto de 11 de março, mas não concordou com as ações do Japão em agosto e outubro, argumentando que a moeda deve ser baseada em fundamentos do mercado.

"É importante notar que essas operações ocorreram num momento em que a atividade do mercado de câmbio e de aversão ao risco estavam sendo predominantemente influenciadas pela evolução financeira de outros setores da economia global, que foram afetando todas as principais moedas", disse o relatório do Tesouro americano.

Analistas no Japão disseram terem sido surpreendidos pelo forte tom das críticas do relatório e preveem que isso vai tornar mais difícil para o governo japonês entrar novamente no mercado para tentar enfraquecer o iene.

"O Japão não será capaz de intervir livremente tanto como ele quer", disse Tomoko Fujii, estrategista sênior de câmbio do Bank of America Merrill Lynch nos EUA. O banco projeta que o dólar manterá seu nível recorde de baixa frente ao iene.

Os analistas estão, agora, reforçando suas previsões de que o iene vai continuar se apreciando para novas máximas históricas no próximo ano. O mercado já projetava a valorização da moeda devido à crise da dívida soberana na Europa e pela expectativa de que indicadores econômicos dos EUA comecem a mostrar uma piora a partir de janeiro. Além disso, o iene é sustentado pelo superávit em conta corrente do Japão, o que cria demanda subjacente para a moeda.

"Sabíamos que os EUA não têm recebido bem as intervenções recentes do Japão, mas esta mensagem clara foi uma grande surpresa", disse Junya Tanase, estrategista-chefe de câmbio do JP Morgan em Tóquio.

Um funcionário do governo japonês disse, em reação ao relatório, que não haveria "nenhuma mudança" na política de câmbio do do país e que o Japão continuará a explicar a sua política de divisas para outros governos.

O Japão disse repetidamente que iria intervir para parar do que chamou de "volatilidade excessiva", argumentando que a valorização de sua moeda não se justifica pelos fundamentos da economia japonesa.

Quanto a China, o Tesouro americano disse no relatório que vai continuar pressionando Pequim para uma maior flexibilidade da taxa de câmbio, bem como para melhorar o ambiente para empresas estrangeiras e mudar o perfil de crescimento da economia liderado exportações.

Fonte: Dow Jones Newswires com The Wall Street Journal